quarta-feira, 25 de junho de 2014

O Globo - Comissão da Verdade de SP entra com mandado de segurança contra CNV em relação ao caso JK

O Globo 

A Comissão Municipal da Verdade de São Paulo impetrou, nesta terça-feira (24/6), mandado de segurança contra a Comissão Nacional da Verdade (CNV) para impedir que um relatório preliminar sobre a morte do ex-presidente Juscelino Kubitschek elaborado por Brasília seja transformado em relatório final. A comissão municipal concluiu, no fim do ano passado, que JK foi morto num atentado político em 22 de agosto de 1976. A CNV, por sua vez, apresentou relatório que concluiu que a morte aconteceu em decorrência de um acidente de trânsito na Via Dutra, confirmando a versão oficial.

O objetivo da ação judicial, formalizada na 15ª Vara Federal, em Brasília e cujo mandado foi distribuído para o juiz João Luiz de Sousa, é que a CNV leve em conta circunstâncias, evidências e testemunhas que prestaram depoimento à Comissão dos vereadores paulistanos sobre o caso.

"Queremos que as conclusões a que chegamos sejam consideradas e que os nossos trabalhos possam subsidiar a Comissão Nacional da Verdade", afirmou o presidente da Comissão Municipal da Verdade de São Paulo, vereador Gilberto Natalini (PV).

O mandado de segurança critica a CNV por repetir argumentos e perícias do inquérito policial da época da morte, em plena ditadura militar, que culpou o motorista de ônibus Josias Nunes de Oliveira pelo acidente que matou JK. A comissão paulistana alega que a CNV não ouviu oito testemunhas consideradas relevantes e que apontam evidências para o assassinato do ex-presidente.

Entre as testemunhas, segundo Natalini, estão o próprio Oliveira; o passageiro do ônibus conduzido por ele, Paulo Oliver, que disse não ter havido choque entre o ônibus e o automóvel que transportava JK; e também Serafim Jardim, ex-secretário particular de JK.

"Só ouviram o Antonio Carlos de Lima (perito que disse às duas comissões que o motorista do carro de JK, Geraldo Ribeiro, foi vítima de um tiro de arma de fogo disparado contra o crânio dele), e, mesmo assim, muito rapidamente. Há relatos de que mexeram no carro de JK antes da chegada da perícia, de suborno oferecido ao Oliveira, de que o carro onde estava o Juscelino atravessou a Via Dutra com o motorista com a cabeça caída entre o volante e o vidro do veículo, de chantagem à dona Sara Kubitschek por parte do médico Guilherme Romano, amigo do Golbery (do Couto e Silva) que subtraiu o diário do Juscelino, entre outros", garantiu o vereador Gilberto Natalini.

A Comissão Nacional da Verdade informou ao Globo que o relatório da Comissão da Verdade de São Paulo foi analisado pelos peritos da CNV, que concluíram que não há qualquer elemento que sugira a tese defendida pelos vereadores paulistanos. Disse ainda a CNV estar aberta a conversar tanto com a Comissão Vladimir Herzog, nome da comissão paulistana, quanto com a Comissão da OAB de Minas Gerais, que também questionou o relatório da CNV sobre o episódio JK.

MTST pressiona e derruba sessão; Young fala que movimento está "perdendo a mão"



Fotos - Renattod´Souza/CMSP

Mais uma vez não houve acordo na base aliada ao governo Haddad. Com a pressão do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto) nas ruas próximas à Câmara Municipal - bloqueando até as saídas do prédio do legislativo – intimando os parlamentares pela votação imediata do Plano Diretor Estratégico e também de um projeto de lei, de autoria do vereador Alfredinho (PT), que altera o zoneamento de um terreno particular invadido na zona leste, ao lado da Arena Itaquera, denominado de “Copa do Povo”, a discussão do PDE foi mais uma vez adiada.  

Do lado de fora da Câmara, com barracas montadas e carro de som, o discurso do legítimo movimento de moradia popular radicalizou acusando, inclusive, o vereador Police Neto de “atrapalhar a votação do PDE”. Um boneco com o nome do líder do PSD foi queimado, o que irritou profundamente os principais líderes da Casa. Em solidariedade, seus colegas derrubaram a sessão extraordinária. 

O líder do PPS, vereador Ricardo Young, também solidário a Police Neto, criticou a ação do MTST. “Não dá para fazer o nosso trabalho com esse tipo de pressão. O líder (do movimento) Guilherme Boulos está perdendo a mão. Uma coisa é manifestação, outra coisa é cercear o legislativo de fazer suas funções. Isso é extremamente autoritário. Quanto mais somos pressionados, menos existirá a nossa disponibilidade para votar”, disse.

Emendas 

Ricardo Young mostrou-se esperançoso com o fato de que emendas de sua autoria sejam incorporadas ao PDE. “Creio que seja possível recuperar as nossas emendas que prevêem critérios de sustentabilidade nas construções de habitações populares em áreas de manancial”, explicou referindo-se ao terreno da Nova Palestina, invasão do MTST no extremo sul da cidade, que poderá ser palco de casas populares. 

O parlamentar também ressaltou outra emenda de sua autoria, que determina que o Código de Obras (que será revisto após a aprovação do PDE), passe a incorporar os princípios da sustentabilidade. 

A discussão do Plano Diretor deverá ser retomada nesta quarta-feira. 

Ricardo Young esclarece expediente na Câmara nessa segunda-feira

Diferentemente do que foi publicado nas matérias da Folha e do Uol, toda a equipe do mandato do vereador Ricardo Young (PPS) compareceu à Câmara Municipal nessa segunda-feira (23/6). Pela manhã, aconteceu reunião de equipe na Sala Tiradentes, 8o andar, como é rotina no início de toda semana. Na sequência, houve expediente no gabinete até as 14h - horário de dispensa alternativo estabelecido em função do jogo do Brasil. Não fomos contatados pela reportagem que acusou ausência do vereador. 

“Justamente porque a fiscalização da imprensa é de extrema importância para o bom funcionamento do Legislativo, lamento a generalização de reportagens que, sem a devida apuração e checagem, acabam contribuindo apenas para reforçar estereótipos degradantes da Política. O contexto da fotografia do plenário vazio em uma segunda-feira é um exemplo desse desserviço: ela sugere ser o lugar onde os vereadores deveriam estar, quando, na verdade, trabalhamos também no nosso gabinete, em diversas salas do prédio e ainda em reuniões externas pela cidade. A ocupação do plenário pelos vereadores tem agenda fixa: terças, quartas e quintas, a partir das 15h, quando os projetos construídos em todos os outros dias da semana são colocados em votação”, explicou o líder do PPS. 

terça-feira, 24 de junho de 2014

Artigo: Por uma votação transparente na finalíssima do Plano Diretor


Ricardo Young

É de praxe: no final do 1o semestre, os vereadores devem votar a Lei de Diretrizes Orçamentárias para o próximo ano - com essa condição, estão “liberados” para o recesso de julho. Neste ano, com o calendário espremido entre a Copa e as eleições, temos ainda uma missão mais importante para concluir: a segunda votação do Plano Diretor. Não podemos nos dar ao luxo de entrar em recesso sem votá-lo. Se for preciso, que abramos sessão plenária em julho.

O Plano Diretor é a lei mais importante que essa legislatura deve aprovar, pois ordena a cidade para os próximos 16 anos. A partir da sua aprovação, temos uma série de leis que precisarão ser adaptadas às novas diretrizes, como a Lei de Zoneamento, a Lei de Uso e Ocupação do Solo e o Código de Edificações. Além disso, minha principal preocupação em ter rapidamente o novo Plano Diretor é evitar a piora da situação da cidade, com a corrida para o licenciamento de projetos sob a lei atual - a grande culpada pelo adensamento caótico que temos hoje.

No entanto, não vale tudo nessa votação final. Por mais que a Prefeitura e o Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) pressionem pela aprovação imediata do Plano, é preciso haver clareza sobre quais das 330 emendas propostas pelos vereadores foram consolidadas no último substitutivo publicado e como elas fazem avançar na direção do melhor Plano Diretor para a cidade. Defendo o uso do período de recesso para a segunda apreciação justamente para fazer valer o esforço de participação e transparência pelas quais o processo zelou até agora. 

Aos movimentos sociais e quaisquer outros interessados em pleitos não contemplados nesse substitutivo, vale esclarecer aqui a importância de se evitar as “emendas de plenário” - aquelas que são protocoladas de última hora, em meio à votação, sem que o conteúdo seja de conhecimento público. Tivemos tempo para fazer as nossas propostas - foram mais de 60 audiências públicas desde setembro do ano passado. Só o meu mandato promoveu quatro Segundas Paulistanas e ajudou a organizar dois debates com especialistas para garantir a ampla discussão do projeto. Ainda que tenham mérito e beneficiem a cidade, as emendas de plenário devem ser evitadas porque são oportunistas, já que não foram publicadas. 

Considero justo, no entanto, a reapresentação de emendas que já foram amplamente divulgadas, mas não estão acatadas pelo texto do projeto. As emendas que propus buscam conciliar os conflitos socioambientais do Plano Diretor. Uma delas pede a volta do Parque Manancial Paiol, em Parelheiros - o único que saiu do projeto original. Mas a maior parte das minhas emendas se dedica a impor critérios de sustentabilidade para zonas especiais de interesse ambiental e, mais rigorosamente, para habitações sociais em áreas de manancial - uma forma de equilibrar o fato consumado da ocupação da Nova Palestina. Nenhuma delas foi incorporada ao substitutivo que será votado.

Especialmente para quem compartilhou a matéria de ontem que mostrava um plenário vazio (e ele estará vazio todas as segundas; enquanto nós estávamos em reunião de equipe); faço um apelo para que acompanhe e compartilhe cada passo da votação do Plano Diretor. Não podemos por tudo a perder com mudanças obscuras no apagar das luzes do plenário.

terça-feira, 10 de junho de 2014

Ricardo Young esclarece impasse na votação do Plano Diretor


Ao contrário do que vem sendo divulgado por alguns ógãos de imprensa, o vereador Ricardo Young, líder do PPS na Câmara, não recebeu ingressos para a Copa do Mundo. "Embora eu seja um dos líderes partidários, nunca fui informado sobre ingressos, assim como também não fui informado de nenhuma reunião de lideranças na Prefeitura", garantiu o vereador. 

Segundo ele, "o entendimento é que a base do governo estaria reunida para negociar emendas importantes para o Plano Diretor - dentre elas, a que envolve o polêmico projeto de um aeroporto em Parelheiros. É a falta de acerto sobre as emendas que impediu a realização de um Colégio de Líderes e das sessões plenárias de hoje".  

Aeroporto ou parque? 

Young é autor de uma emenda ao Plano Diretor que reinsere no projeto o Parque Manancial Paiol - único que estava previsto no projeto do Executivo e, mesmo sem ter havido manifestações nas audiências, ficou de fora do substitutivo apreciado em 1a votação. 

A retirada foi questionada pelo Ministério Público, que arguiu a Câmara por não ter esclarecido a ação. O Parque fica na região onde se estabeleceria o aeroporto de Parelheiros, mas a localidade implica também o Reservatório da Guarapiranga e, portanto, tem um papel estratégico para o suprimento de água na cidade.

“São Paulo é uma terra em disputa. Entre interesses econômicos e movimentos sociais, o meio ambiente não tem tantos representantes e se torna o pilar mais fraco”, justifica Young.  Conheça as emendas do seu mandato ao PDE:

Outras propostas do vereador para o Plano Diretor

Terra permeável

Altera a área de permeabilidade mínima para a Macrozona de Estruturação e Qualificação Urbana, de 0,15 para 0,20% do terreno. A medida deve servir não só para combater os fenômenos de enchentes já recorrentes, mas também como estratégia de "adaptação" da cidade para os fenômenos de mudanças climáticas que, conforme os estudos recentes apontam, devem promover chuvas de maior intensidade e em menor tempo, aumentando a exigência de capacidade de resposta da cidade para uma boa drenagem urbana.

Ambiente de qualidade

Insere diretrizes para a Lei de Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo: aeração e qualidade do ar; conforto térmico do pedestre; acessibilidade e mobilidade no espaço público; demanda e geração de energia; ventilação natural para edificações.

Mata Atlântica

Prevê a realização de um Plano Municipal de Mata Atlântica, pela Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, ainda antes da revisão da Lei de Parcelamento Uso e Ocupação do Solo, de modo que a nova lei a ser aprovada contribua para a preservação do bioma.

Parque Manancial Paiol

Reinsere no PDE o Parque Manancial Paiol - único que estava previsto no projeto do Executivo e, mesmo sem ter havido manifestações nas audiências, ficou de fora do substitutivo apreciado em 1a votação. A retirada foi questionada pelo Ministério Publico, que argüiu a Câmara por não ter esclarecido a ação. O Parque fica na região do Reservatório da Guarapiranga e, portanto, tem um papel estratégico para o suprimento de água na cidade.

Serviço social e ambiental

Exige atendimento integral por saneamento básico nas Zonas Especiais de Interesse Social inseridas na Área de Manancial da Guarapiranga. A medida é parte do esforço necessário para preservar sua produção de água de qualidade e prevê, inclusive, a regeneração, quando possível, de recursos hídricos e áreas verdes degradadas.
  
Sustentabilidade na habitação social

Prevê critérios de sustentabilidade para as Zonas Especiais de Interesse Social (recuperação de Áreas de Preservação Permanente, averbação prévia de área verde, atendimento integral por saneamento básico, gestão dos resíduos e, se estiver em Unidade de Conservação, atendimento às condicionantes dos planos de manejo).

Outros critérios de sustentabilidade também são previstos para todos os empreendimentos construídos nessas Zonas, podendo ser prédios para habitação de interesse social (para famílias que recebem até 6 salários mínimos) ou de mercado popular (entre 6 e 10 salários mínimos). Há itens voltados à qualidade urbana (paisagismo, local para coleta seletiva, equipamentos de lazer, desempenho térmico); eficiência energética, conservação de recursos materiais (por exemplo, com a gestão de resíduos de construção e demolição); gestão da água (medição individualizada, dispositivos economizadores, aproveitamento de águas pluviais e dotação de áreas permeáveis) e, por fim, a gestão participativa da comunidade para elaboração do projeto e orientação dos moradores sobre as inovações.

Plano e prazo


Sistematiza em um único e inteligível quadro todos os diversos Planos e Programas previstos no PDE, permitindo que a população tenha pleno conhecimento daquilo que deve ser feito, por quem e em que prazo. Afinal, muitos dos projetos decorrentes do PDE foram exigidos pela sociedade em audiências públicas.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Corpos identificados teriam sido enterrados como indigentes em SP

Site da Câmara

A Comissão da Verdade da Câmara Municipal realizará uma inspeção nas instalações do Cemitério Dom Bosco, em Perus, zona norte de São Paulo para investigar a denúncia de que pessoas com identificação teriam sido enterradas no local como indigentes, como afirmou o jornal Folha de S. Paulo em reportagem publicada no mês de abril. A visita estava marcada para a manhã desta terça-feira (10/6), mas foi adiada por conta da sessão extraordinária convocada para as 11h do mesmo dia.

O Ministério Público investiga eventuais irregularidades no enterro de cadáveres sob responsabilidade do SVO (Serviço de Verificação de Óbitos). Suspeita-se que mortos devidamente identificados estejam sendo sepultados como indigentes, tendo seus órgão retirados e vendidos ilegalmente para hospitais, como afirmou a Folha em outra matéria, publicada neste sábado (7/6).

Uma vala clandestina no Cemitério Dom Bosco foi descoberta em 1990, fato que deu origem à CPI da Vala de Perus na Câmara Municipal, realizada no ano seguinte. Ossadas de presos políticos desaparecidos estavam no local, misturadas aos restos mortais de homens, mulheres e crianças sem identificação. A Comissão da Verdade defende a criação de um protocolo que obrigue a identificação de todas as pessoas sepultadas em São Paulo.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Dia Mundial do Meio Ambiente: Young defende Plano Diretor sustentável


"A melhor coisa que a Câmara pode fazer no dia do meio ambiente é votar o máximo de emendas ao Plano Diretor que tragam benefícios para o meio ambiente. Hoje a Folha de S. Paulo traz uma pesquisa que mostra como a população de São Paulo está cada vez mais assustada com a péssima situação ambiental em que a cidade se encontra. Se a população reconhece a gravidade do problema, como nós, legisladores, podemos negligenciar a prioridade da sustentabilidade no Plano Diretor?" Abaixo, a íntegra do discurso do líder do PPS, Ricardo Young, durante sessão ordinária da Câmara no Dia Mundial do Meio Ambiente. 

“Sr. Presidente, Srs. Vereadores, primeiro gostaria de dizer o quanto fico feliz de falarmos no Pequeno Expediente, porque temos a oportunidade de discutir a Cidade e pontos muito importantes.

Segundo, Presidente Claudinho de Souza, gostaria de perguntar se V.Exa. sabe, hoje, no Dia Mundial do Meio Ambiente, qual a melhor atitude que a Câmara Municipal poderia tomar pelo Meio Ambiente. V.Exa. tem ideia? O melhor que esta Casa pode fazer, no Dia Mundial do Meio Ambiente, é votar o máximo de emendas do Plano Diretor que tem a ver com o meio ambiente.

Por quê? A pesquisa Datafolha realizada nesta semana mostra que 41% da população de São Paulo considera a poluição o problema mais grave da nossa Cidade. Depois consideram o lixo e o saneamento como os problemas mais sérios que a Cidade tem hoje. Além da questão da mobilidade e do transporte, que já conhecemos, estamos vendo que a população de São Paulo está cada vez mais assustada com a péssima condição ambiental em que se encontra a Cidade.

Quando a população de São Paulo foi perguntada sobre a questão dos rios, córregos, clima e Amazônia, ela respondeu que esses não são os problemas mais importantes. Porém o problema que estamos vivendo de água na região de São Paulo é por causa do desmatamento da Amazônia.

O cientista Antonio Nobre, depois de uma pesquisa realizada junto com o INPE, mostrou que existe o fenômeno dos rios voadores. A evaporação da Amazônia, que equivale a mais de mil Itaipus, quando entra em contato com o frio dos Andes, precipita no Centro-Oeste e no Sudeste. É por isso que a região Sudeste, onde São Paulo está localizada, é uma das mais agriculturáveis do mundo, por causa do fenômeno dos rios aéreos. Então há uma relação direta de desmatamento com a escassez de chuva que estamos tendo aqui.

Se a população de São Paulo, numa pesquisa espontânea, já identifica a poluição, o lixo e a falta de saneamento como os principais problemas de São Paulo, como nós, representantes da população desta Cidade, podemos negligenciar a prioridade da questão da sustentabilidade no Plano Diretor?

Durante toda essa discussão do Plano Diretor, muitos Srs. Vereadores, muitas pessoas e muitos jornalistas inclusive, sempre colocaram a preocupação com a sustentabilidade como algo menor, como o pessoal que gosta de praça, do mico-leão-dourado ou da natureza. Não se trata mais de gostar ou não da natureza. É entender que não há civilização que não tenha um suporte ambiental estruturado e saudável. Não há cidade saudável sem um meio ambiente saudável.

O que ocorre, hoje, em São Paulo, é que ele se tornou um buraco negro que consome todos os serviços ambientais do seu entorno e não devolve nada. Temos de repensar as cidades como espaço de regeneração ambiental e como espaço de produção de serviços ambientais. Isso é urgente. E, neste momento, temos a oportunidade de dar nossa contribuição.

Portanto, Sr. Presidente, V.Exa. - que não conseguiu responder minha pergunta, não sei se porque não a ouviu ou se porque estava refletindo sobre ela, acredito que a segunda opção seja a verdadeira -, V.Exa. deve, junto com todos nós, dedicar-se a garantir que São Paulo não abra mão de 1cm do seu verde, que comprometa a Prefeitura a multiplicar os parques que temos em São Paulo, que garanta nos adensamentos o máximo de espaço de permeabilidade, que não permita nenhuma habitação, seja onde for, que não esteja nos princípios das construções sustentáveis.

No Dia Mundial do Meio Ambiente nós podemos dar a contribuição para que a maior cidade da América Latina e a terceira maior do mundo mude a sua relação com o meio ambiente, criando a possibilidade de ser uma cidade regeneradora e produtora de serviços ambientais. Está nas nossas mãos, Sr. Presidente. Muito obrigado”.

Plano Diretor finaliza fase de audiências públicas com debate sobre zonas residenciais

A Comissão de Política Urbana da Câmara realizou na quinta-feira (5/6) a última audiência pública necessária para encaminhar o texto do Plano Diretor ao plenário da Casa e votá-lo pela segunda vez. A proposta, que tramita desde setembro do ano passado, passou por 45 consultas em 2013 e por 14 delas neste ano. Após ser aprovado em primeira apreciação no início de abril, o projeto recebeu cerca de 350 emendas de parlamentares.

Na reunião, que contou com a presença do Secretário de Desenvolvimento Urbano, Fernando de Melllo Franco, representantes de diversos movimentos pautaram a maior parte do debates em torno do artigo 13 do texto, que prevê o congelamento das chamadas ZERs (Zonas Estritamente Residenciais). A ideia é fazer com que nessas regiões não seja permitida a instalação de comércios, sob o argumento da necessidade de manutenção das áreas verdes localizadas no interior dos bairros.

Os representantes se dividiram entre os que argumentam contra a proposta, alegando a pouca relevância dos cerca de 4% que os bairros representam no território da cidade, e os favoráveis ao artigo, que justificam a necessidade de lojas nos bairros com dados sobre o aumento de crimes nos locais, relacionados principalmente à falta de movimentação nas ruas.

“O bairro está ficando abandonado. Está morrendo muita gente lá. Temos medo de sair de casa. E preocupação com o verde é o que mais nós temos. Todo mundo que mora lá é a favor disso”, apontou João Rogério, morador do Jardim da Saúde.

O vereador Ricardo Young (PPS) defende o equilíbrio no tratamento da questão. “Existe um risco nas ZERS que é a caducidade das casas que ali estão. Às vezes as casas acabam se tornando um ônus para as famílias, que depois podem ser invadidas. Mas há também o problema com o comércio. Se formos flexibilizar essa restrição, que seja com mecanismos que convirjam com a natureza da própria bairro, que não criem impacto de vizinhança, não aumentem o tráfego de veículos configuração da área”, disse.

Aeródromo

Durante o encontro de hoje, os vereadores Ricardo Nunes (PMDB) e Alfredinho (PT) ainda se mostraram favoráveis à criação do aeródromo de Parelheiros, numa área de proteção ambiental definida pelo próprio Plano Diretor. O projeto tem gerado emendas favoráveis de vereadores da Casa durante o processo de sugestões. “Estamos considerando que só em Parelheiros moram 180 mil pessoas. Essa questão também deve ser considerada, principalmente quando falamos de geração de emprego próximo à moradia. As pessoas precisam colocar comida na mesa”, ponderou Nunes. O promotor Maurício Lopes tratou de refutar a ideia. “Qualquer que seja o subterfúgio para pôr abaixo o pouco que resta das áreas verdes dessa cidade, não contará com um mínimo apoio do Ministério Público”, disse.

O Plano estabelece as diretrizes de desenvolvimento urbano para a cidade nos próximos 16 anos.

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Vereadores aprovam projeto dos corredores; Young alerta para "abuso"


Com 35 votos a favor e quatro contrários, o plenário da Câmara Municipal aprovou, em segunda votação, no final da noite desta quarta-feira (4/6) o Projeto de Lei 17/14, que prevê o alargamento de diversas vias da cidade para a implantação de corredores de ônibus. A proposta segue para a sanção do prefeito. 

“Depois de inúmeras audiências públicas e manifestações, os movimentos conquistaram parcialmente seus objetivos. De forma organizada, persistente, com argumentos republicanos e oferecendo alternativas, o substitutivo avançou e a prefeitura incorporou várias delas. Parabéns à população de São Miguel, da Estrada do Alvarenga, da João Neri e da Av. Sabará que deram uma demonstração de como se faz política da boa”, disse Ricardo Young, líder do PPS e interlocutor de vários movimentos da sociedade civil contra o projeto original da Prefeitura.

Young lamentou o fato da aprovação de vários alinhamentos não previstos na proposta inicial. “De última hora, não dando nem aos vereadores nem aos movimentos, e menos ainda à população, qualquer oportunidade de analisarem as modificações, a Prefeitura se aproveitou e contrabandeou de forma cifrada”, explicou ele. 

Segundo Young, uma noite que poderia ser de celebração termina com apreensão e dúvidas. “Fica claro que mesmo quando há colaboração com o governo, ele sempre responde com algum abuso”, finalizou.

Na votação da LDO, Young defende verba para combate à dependência química

Na primeira votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para o próximo ano, o vereador Ricardo Young (PPS) pediu atenção para o combate à dependência química e à vulnerabilidade social. 

"Os moradores de rua e os dependentes químicos precisam ser contemplados na LDO. Sabemos que hoje esse é um problema social gravíssimo e a Secretaria da Assistência Social foi penalizada com a redução de recursos para tratar essa questão. Também precisamos de um hospital especializado em tratar dependentes químicos, que precisam de atenção individualizada, além de recursos para prevenir essa situação", afirmou Young. 

A segunda votação da LDO está prevista para 25 de junho. Antes, o projeto ainda deve receber emendas dos parlamentares. Veja abaixo a íntegra do discurso do vereador Ricardo Young e a sua preocupação com os dependentes químicos: 

"A LDO entra no automático e nós acabamos não prestando atenção em todos os itens que podem, efetivamente, melhorar a Cidade. Assim como o nobre Vereador Marcos Belizário está levantando a questão do verde na Cidade, dos parques, nós temos outro problema que precisa ser contemplado na LDO: os moradores de rua e os dependentes químicos.

Outro dia, o nobre Vereador Andrea Matarazzo nos trouxe a situação absolutamente degradante dos moradores de rua e dos usuários de drogas, ali no Parque Dom Pedro. Nós sabemos que esse, hoje, é um problema social gravíssimo. Mas a Secretaria da Assistência Social foi penalizada no orçamento deste ano com redução de recursos para o tratamento dessa questão.

Precisamos, no equipamento público de Saúde, de um hospital especializado no acompanhamento e no tratamento dos dependentes químicos que, sabemos, têm necessidade de um tratamento individualizado e longo. Portanto, precisamos destinar recursos para prevenir, para continuar prevenindo  essa questão. Para dar o tratamento necessário a uma população que, hoje, não tem nenhum grupo político ou partido – mesmo no Executivo – que esteja fazendo propostas robustas em relação a essa crise que a Cidade tem. Então, espero que o Governo esteja contemplando isso nessa LDO. Muito obrigado".