terça-feira, 3 de março de 2015

Segundas Paulistanas debate os reflexos da crise hídrica


Site da Câmara

O que precisamos aprender com a crise hídrica? Esta foi A pergunta tema do encontro ‘Segundas Paulistanas’, realizado na noite desta segunda-feira (2/3) na Câmara Municipal de São Paulo por iniciativa do vereador Ricardo Young (PPS). O objetivo do encontro foi discutir com especialistas, ativistas ambientais e a sociedade novos hábitos para que a crise seja superada.

Entre os diversos temas e ações abordadas estão mobilizações populares em defesa ao meio ambiente, a utilização da tecnologia para reunir boas ideias, a despoluição dos rios e a preocupação com a crise de energia elétrica, que também depende dos recursos hídricos.

Para o especialista em gestão ambiental Marcelo Morgado, a crise de energia também deve ser abordada com a população. Ele acredita que ações individuais contribuem de forma expressiva para a economia dos recursos. “Não podemos deixar de discutir a crise de energia, que é irmã da crise hídrica. Não vejo o governo, em todas as suas esferas, comunicando a importância de novos hábitos para a economia da eletricidade. Há alguns anos sofremos com apagões e essa conscientização foi realizada, mas com o tempo os maus hábitos de consumo voltaram”, disse. “Acho que a teremos que aprender com a crise e quebrar alguns paradigmas em relação a novos comportamentos no consumo de energia elétrica ou de água, como por exemplo, o consumo de água de esgoto tratada, que pode gerar estranheza”, completou.

Sobre a despoluição dos rios urbanos, o biólogo e ativista ambiental da SOS Mata Atlântica César Pegoraro acredita que devem ser vistos como possibilidade real para o abastecimento da cidade no futuro. “Investir pesadamente na questão da despoluição dos rios é fundamental, eles tem um papel importante que deve ser resgatado. Devem ser sinônimo de saúde e convívio nas cidades”, afirmou.  Pegoraro também considera importante o incentivo econômico aos produtores de água, que preservam as nascentes, e o reflorestamento das áreas.

“Não podemos esquecer que a questão da água é sistêmica e envolve vários níveis, então não iremos esgotar as soluções em uma ou duas políticas públicas. Na verdade, precisamos fazer uma convergência no maior número possível de entes públicos e lideranças da sociedade par

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Young critica "demonização" das árvores na cidade


O líder do PPS na Câmara Municipal, vereador Ricardo Young, usou o Pequeno Expediente desta quinta-feira (26/2) para dar detalhes da reunião da Frente Parlamentar pela Sustentabilidade, realizada na parte da manhã (veja mais). O vereador aproveitou a oportunidade para criticar a ação da Prefeitura Municipal que, inconsequentemente e sem maiores explicações, eliminou cinco árvores da espécie sibipirunas localizadas na Praça do Correio. “Há uma demonização das árvores na Cidade, o que é um absurdo”, criticou. Leia a íntegra do discurso: 

“Sr. Presidente, Srs. Vereadores, telespectadores da TV Câmara São Paulo, aproveito o Pequeno Expediente para comunicar a todos que houve eleição hoje na reunião da Frente Parlamentar pela Sustentabilidade.

O nosso nobre e querido colega Vereador Natalini assume agora a Presidência da Frente Parlamentar pela Sustentabilidade. Este Vereador continua com a Vice-Presidência e a Secretaria está a cargo do nobre Vereador Toninho Vespoli. Gostaria de parabenizar S.Exas. pela eleição.

Haverá uma agenda bastante intensa para os próximos meses, a começar pela Aliança pela Água, que hoje esteve presente na nossa reunião mostrando que existe uma agenda emergencial para a Cidade. Ela já foi apresentada para o Sr. Prefeito, para o Conselho da Cidade e foi negligenciada. Por isso a Aliança pela Água pede para que esta Casa abrace as iniciativas propostas por eles; que possamos ter nesta Casa uma caixa de ressonância para o que a sociedade civil está fazendo em relação à água.

Ainda em relação à Frente Parlamentar pela Sustentabilidade, marcamos para a próxima sexta-feira, dia 13, uma nova reunião para continuarmos a discussão sobre a Lei de Zoneamento. Ontem realizamos uma reunião, convocada por alguns Srs. Vereadores, que lotou a sala Sérgio Viera de Mello. Eram mais de cem pessoas e sentimos tanto pelos urbanistas e arquitetos presentes, como pela população representada   que a discussão sobre a Lei de Zoneamento terá de se aprofundar, terá desdobramentos importantes, grandes, e não se esgotará apenas através das audiências públicas já marcadas.  É fundamental um engajamento maior da Câmara nessa discussão com os Vereadores, com os especialistas e a sociedade civil.

Estão todos convidados para, no dia 13, às 10h, estarem presentes para a continuidade da discussão sobre a Lei de Zoneamento.

Queria colocar uma questão que nos deixou bastante perplexos hoje de manhã que foi a eliminação das sibipirunas da Praça do Correio.

É impressionante, a Cidade padece de falta de água, nós sabemos que a Cidade está se tornando uma ilha de calor, boa parte dos desajustes climáticos e da intensidade das chuvas dos últimos tempos têm se dado em função da ilha de calor que a Cidade se tornou.

As árvores são absolutamente necessárias. Há uma demonização das árvores na Cidade, o que é um absurdo. As árvores são absolutamente necessárias para a qualidade do ar, para a garantia do equilíbrio da temperatura, para a fauna remanescente que ainda temos, para o sombreamento das calçadas e para um ambiente minimamente aprazível, principalmente nas áreas públicas.

Aí, rapidamente, da noite para o dia, a própria Prefeitura elimina cerca de cinco sibipirunas adultas, todas elas com mais de 20 anos, sem dar nenhuma explicação para isso.

É um absurdo que estejamos enfrentando a situação climática, a escassez de água e a necessidade de aumentar o metro quadrado por habitante de verde, nesta Cidade. Hoje nós temos três metros quadrados, por habitante, quando a recomendação das Nações Unidas é de 12, e o próprio Poder Público elimina árvores que, inclusive, eram fundamentais para aqueles usuários de ônibus que tinham nessas árvores o sombreamento necessário.

A Frente já está encaminhando um requerimento para a Secretaria de Transportes e Secretaria do Verde para saber como essa decisão foi tomada.

Por todas as razões é lamentável e a Frente Parlamentar decidiu então acatar, por parte do Movimento das Águas, uma revisão da legislação sobre compensação ambiental e arborização na Cidade, porque assim como está, não dá. Muito obrigado, Sr. Presidente”.

Cobertura arbórea é discutida pela Frente Parlamentar pela Sustentabilidade



Site da Câmara
Foto - Luiz França/CMSP
A cobertura arbórea da cidade de São Paulo e os benefícios que ela pode trazer foram discutidos nesta quinta-feira (26/2), na Câmara, durante a reunião da Frente Parlamentar pela Sustentabilidade, presidida pelo líder do PPS na Casa, Ricardo Young. 

Nos últimos dias, a cidade vem presenciando fortes chuvas e muitas quedas de árvore, o que tem preocupado a população. Somente na última quarta-feira (25/2), o temporal que atingiu principalmente a zona Leste da capital paulista deixou 19 árvores caídas, muitas delas causando transtornos ao trânsito.

Para a ambientalista Cláudia Visoni, os paulistanos estão se irritando com o que vem acontecendo e alguns estão até declarando guerra às árvores. Segundo ela, para um ambiente urbano ser saudável é necessário a manutenção dessas árvores. “Elas trazem uma umidificação do ar e um conforto térmico que uma simples sombra não resolve”.

Ainda segundo Cláudia, a cobertura arbórea ainda traz um efeito bastante específico: a atuação como um filtro da atmosfera. “Existe uma pesquisa inglesa que mostra que uma árvore na frente de uma residência reduz mais da metade do material particulado, que é uma poeira fininha que a gente aspira. Quem faz isso são as folhas”, explicou.

Novo presidente

Os membros da Frente Parlamentar escolheram como novo presidente do colegiado o vereador Natalini (PV). Segundo ele, a luta por uma cidade mais sustentável continuará. “Uma cidade mais sustentável é economicamente pujante, socialmente mais justa e ambientalmente mais construída. Fiquei muito feliz por meus c

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Frente Parlamentar discute a crise hídrica na cidade


O líder do PPS, vereador Ricardo Young, convida para a reunião da Frente Parlamentar pela Sustentabilidade no dia 26/02, a partir das 11h, na Câmara Municipal.

Pauta da Reunião Frente

1) Eleição para a Presidente e Vice / Eleição para Secretario

2) Aliança pela Água:

a) Formalização do apoio a Carta Aberta sobre a Crise Hídrica no município de São Paulo do Conselho da Cidade de São Paulo

b) PL 166/2014 do Ver. Andrea Matarazzo, que dispõe sobre poda de arvores no município de São Paulo.

3) Atuação da Frente na LPUOS E Código de Obras

4) IPTU Verde: PL da Procuradoria para consolidar todas as propostas já apresentadas na Casa (ver status)

5) Receber proposta da Comgás para contribuir com a LPUOS

6) Parque dos Búfalos / Pq Augusta

7) Apresentação da Plataforma Democracia OS

8) Divulgação pela Frente Parlamentar da IV Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental.

9) Coautoria no PL que dispõe sobre a obrigatoriedade de elaboração de inventários das emissões de Gases de Efeitos Estufa (GEE) e de implantação de medidas de redução e de compensação nos eventos esportivos, culturais, religiosos, festivos e as

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Audiência debate projeto que prevê multa para desperdício de água


A Câmara Municipal promove nesta terça-feira (23/2), a partir da 15 horas, no Auditório Primeiro de Maio da Casa, audiência pública para debater o Projeto de Lei 529/14. A propositura dispõe sobre a aplicação de multa para o desperdício de água na cidade. O projeto será debatido no âmbito da Comissão de Finanças de Orçamento. Participe!

Outros projetos que serão debatidos:

PL 323/2010, que institui o programa de reuso de água em postos de gasolina e lava-rápidos.

Os outros projetos em pauta são: 185/2011, 737/2013, 44/2014 e 267/2014.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Projeto da Câmara obriga alimentação orgânica nas escolas


Foi aprovado nesta quarta-feira (11/2) o Projeto de Lei 451/13, de autoria dos vereadores Ricardo Young (PPS) e Gilberto Natalini (PV), que propõe a inclusão de alimentos orgânicos na merenda servida aos alunos das escolas públicas municipais de São Paulo.

Trata-se de um substitutivo de um projeto anterior, apresentado pelo vereador Gilberto Natalini (PV), em 2011, e vetado pela Prefeitura, com base no argumento de que o volume de produção destes alimentos seria incapaz de suprir a destinação de 30% da alimentação do Sistema Municipal de Ensino, exigência do texto anterior. 

Young, que é co-autor do PL, explica que o projeto atual foi adequado às solicitações do Executivo e aumenta gradativamente o percentual de alimentos orgânicos na merenda. O projeto vai para a sanção do prefeito.

O projeto também tem também a co-autoria dos vereadores Dalton Silvano (PV), Toninho Vespoli (PSOL), Goulart (PSD) e Nabil Bondouki (PT). 

Projeto de Lei 451/13

“Dispõe sobre a obrigatoriedade de inclusão de alimentos orgânicos ou de base agroecológica na alimentação escolar no âmbito do Sistema Municipal de Ensino do Município de São Paulo e dá outras providências”

Art. 1º. Esta lei dispõe sobre a inclusão de alimentos orgânicos ou de base agroecológica na alimentação escolar no âmbito do Sistema Municipal de Ensino doMunicípio de São Paulo, estabelece critérios para esta inclusão e dá outras providências.

Art. 2º. Fica instituída a obrigatoriedade de inclusão de alimentos orgânicos ou de base agroecológica  prioritariamente da Agricultura Familiar e do empreendedor familiar rural ou suas organizações, nos termos da Lei Federal 11.326/2006, na alimentação escolar no âmbito do Sistema Municipal de Ensino.

Art. 3º. Entende-se por alimento orgânico ou de base agroecológica aquele produzido nos termos da Lei Federal nº 10.831, de 23 de dezembro de 2003 ou a norma que vier a substituí-la, devidamente certificado ou produzido por agricultores familiares, que façam parte de uma Organização de Controle Social- OCS, cadastrada no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento-MAPA, e tenham sido inscritos no Cadastro Nacional de Produtores Orgânicos ou em outro que venha a ser instituído no âmbito federal.

Parágrafo único: a certificação orgânica deverá ser atestada por Organismo de Avaliação da Conformidade ou Organismo Participativo de Avaliação da Conformidade-OPAC devidamente credenciados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA, nos termos da legislação federal vigente. 

Art. 4º. A aquisição de alimentos orgânicos ou de base agroecológica será realizada prioritariamente por meio de chamada pública de compra, em  conformidade com a Lei Federal 11.947/2009 e as  resoluçõesvigentes do Fundo Nacional de Desenvolvimento Escolar (FNDE).

Parágrafo único: Em caso de não atendimento integral da demanda, a Secretaria Municipal de Educação poderá realizar licitação pública, nos termos da legislação vigente, para aquisição de produtos orgânicos ou de base agroecológica de pequenos e médios produtores que possuam CNPJ de produtor rural ou nota fiscal de produtor rural.

Art. 5º. Será priorizada a aquisição de alimentos orgânicos ou de base agroecológica diretamente da agricultura familiar e do empreendedor familiar rural ou de suas organizações, conforme Lei Federal 11.326/2006.

Parágrafo único: Para fins de identificação e análise de propostas do agricultor familiar individual será exigida a Declaração de Aptidão ao PRONAF – DAP – física ou, quando se tratar de propostas de empreendimentos familiares ou suas organizações será exigida a apresentação da Declaração de Aptidão ao PRONAF – DAP jurídica, em consonância com a resolução vigente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) que regulamenta a Lei 11.947/2009).

Art. 6º. Poderão ser adquiridos alimentos de agricultores familiares em processo de transição agroecológica, desde que situados no município de São Paulo.

§ 1º: o processo de transição agroecológica deverá ser comprovado mediante protocolo válido, atestado pelo órgão municipal competente de agricultura e abastecimento na Cidade de São Paulo.

§ 2º: entende-se por transição agroecológica processo gradual de mudança de práticas e de manejo de agroecossistemas, tradicionais ou convencionais, por meio de transformação das bases produtivas e sociais do uso da terra e dos recursos naturais, que levem a sistemas de agricultura que incorporem princípios e tecnologias de base agroecológica, conforme Decreto Federal nº 7.794/2012 que institui a Política Nacional de Produção Orgânica.

§ 3º. entende-se como produção de base ecológica aquela que não utiliza nem fertilizantes sintéticos de alta solubilidade, nem agrotóxicos de alta solubilidade, nem reguladores de crescimento e aditivos sintéticos na alimentação animal e nem organismos geneticamente modificados.

Art. 7º. Para a aquisição de alimentos orgânicos ou de base agroecológica poderão ser adotados preços diferenciados:

I – Para alimentos orgânicos ou de base agroecológica nos termos do artigo 3º; de até 30% (trinta por cento) a mais em relação ao produto similar convencional.

II – Para alimentos adquiridos de agricultores familiares em processo de transição agroecológica situados no município de São Paulo, nos termos do artigo 6º, de até 30% (trinta por cento) a mais em relação ao produto similar convencional.          

Art. 8º. Os alimentos orgânicos ou de base agroecológicaproduzidos no município de São Paulo, prioritariamente os oriundos da agricultura familiar, terão preferência sobre os produzidos em outras localidades. 

Art. 9º. O Setor de Cardápios do Departamento de Alimentação Escolar da Secretaria Municipal de Educação deverá adotar cardápios diferenciados, respeitando a sazonalidade da oferta de alimentos orgânicos ou de base agroecológica.

Art. 10º. A implantação desta lei será feita de forma gradativa, de acordo com Plano de Introdução Progressiva de Alimentos Orgânicos ou de Base Agroecológica na Alimentação Escolar a ser elaborado pelo Executivo Municipal, em conjunto com a sociedade civil organizada, definindo estratégias e metas progressivas até que todasas unidades escolares da Rede Municipal de Ensino forneçam alimentos orgânicos ou de base agroecológica aos seus alunos.

§1º: o Plano de Introdução Progressiva de Alimentos Orgânicos ou de Base Agroecológica na Alimentação Escolar deverá ser parte integrante da regulamentação desta lei.

§2º: o Plano previsto no caput  deverá ser elaborado num prazo de até 180 dias de vigência desta lei.

§3º.o Plano previsto no caput será elaborado por uma comissão intersecretarial composta pela Secretaria Municipal da Educação, pelo órgão municipal competente de agricultura e abastecimento e pela Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente, sob a coordenação dos dois primeiros, de acordo com a especificidade dos integrantes do plano, a saber:

I- estratégias para adequar o sistema de compras da Agricultura Familiar;

II- Estratégias para estimular a produção de orgânicos ou de base agroecológica no município, inclusive assistência técnica e extensão rural;

III- Metas para a inclusão progressiva de alimentos orgânicos ou de base agroecológica na alimentação escolar;

IV – Arranjos locais para inclusão de agricultores familiares do município;

V- Proposta de capacitação da equipe da Secretaria Municipal da Educação e de prestadores de serviços;

 VI – Programas educativos de implantação de hortas escolares orgânicas e de base agroecológica, em consonância com a Política Municipal de Educação Ambiental.                             

 VII –Relação de  equipamentos necessários para as cozinhas escolares.    

§º:4º. o Plano previsto  no caput  deverá ser submetido à consulta pública e depois apresentado ao Conselho Municipal de Segurança Alimentar (COMUSAN), ao Conselho de Alimentação Escolar (CAE) e ao Conselho Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (CADES).
Art. 11º. As despesas decorrentes da execução desta lei correrão por conta das dotações orçamentárias próprias, suplementadas, se necessário.

Art. 12º. O Poder Executivo regulamentará esta Lei em até 180 dias a contar da apresentação do Plano de que trata o § 2º do  Art. 10º.

Art. 13º. Esta lei entra em vigor na data de sua publicação.



quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Young explica licença de trabalho


O líder do PPS na Câmara Municipal, Ricardo Young, explica os motivos de sua licença nos primeiros dias de fevereiro. Veja no lik ao lado: http://goo.gl/JGiKKN

Minhocão: a importância do debate democrático



Ricardo Young 

Desde 31 de julho de 2014, quando o novo Plano Diretor Estratégico (PDE) determinou a desativação do Elevado Costa e Silva, o destino da estrutura tem fomentado debates acalorados entre grupos que propõe distintas soluções para os 3,4 quilômetros de vias elevadas que ligam a zona oeste ao centro da cidade de São Paulo.

A construção, que foi carinhosamente (ou não) apelidada pelos paulistanos de Minhocão, é polêmica desde sua idealização e não haveria como deixar de ser em sua desativação.

O PDE determina que o Minhocão deixe de ser utilizado como via de tráfego, mas a forma como isso deve acontecer, e o futuro da estrutura, ficam a cargo de uma legislação específica.

Atualmente, a única proposta que tramita na Câmara Municipal de São Paulo é a transformação do elevado em um parque linear suspenso, o Parque Minhocão. A ideia foi apresentada por meio do projeto de lei 10/2014, de autoria do vereador Police Neto (PSD), do qual eu e outros colegas vereadores somos coautores.

O PL foi apresentado em fevereiro do ano passado e hoje, quase um ano depois, a polêmica em torno do tema ganhou muitos outros vieses. Alguns grupos se organizaram e têm participado de discussões de nível elevadíssimo, como o Fórum Futuro do Minhocão, em que meu mandato também se envolveu.

O debate democrático tem feito emergir aspectos que, das mais variadas formas, são intrínsecos à questão. Demandas de moradores, estudos aprofundados sobre o tema e opiniões de especialistas lançam luz a temáticas como os baixios da estrutura, a especulação imobiliária e uma diversidade de fatores socioeconômicos e ambientais.

O Minhocão afeta a cidade e seus cidadãos de múltiplas maneiras, seja direta ou indiretamente. Essa multiplicidade se reflete no número de possibilidades apresentadas e não há como ignorar este cenário.

Tenho convicção, assim como todos os movimentos organizados sobre o tema, que o Minhocão deve ser desativado e apoio e admiro a forma democrática como o assunto tem sido discutido.

Acredito que a decisão do que será feito após a desativação deve ser tomada com base em projetos consistentes, seja para o Parque, para o desmonte ou qualquer outra ideia que possa ser elaborada.

Sempre digo, e reforço aqui, que a cidade é um sistema complexo e não há como solucionar suas questões de forma açodada. O debate é a única condição em que se pode desenhar um desenlace abrangente e ponderado, que contemple todas, ou boa parte, das demandas.

O PL do Parque Minhocão cumpre papel importante, mesmo que não seja esta a decisão final sobre o destino da estrutura. O texto foi fundamental para estimular o debate e trazer os olhares da sociedade para esta questão, que não está ainda nem próxima de um desfecho.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Táxi Compartilhado: visões de mundo opostas




A Coluna “Tendências e Debates” do Jornal Folha de S. Paulo do último sábado (24/1) trouxe dois pontos de vista diferentes sobre o serviço de táxi-compartilhado na cidade: uma, do líder do PPS e autor da proposta aprovada pela Câmara, Ricardo Young, e outra do petebista Adilson Amadeu. O projeto de Young foi vetado pelo prefeito Haddad no começo de janeiro. Os artigos disponíveis abaixo diferenciam pela visão de mundo dos autores. 

São Paulo deveria adotar táxi compartilhado? Sim

RICARDO YOUNG: UMA CIDADE DIRIGIDA PELO RETROVISOR

Uma metrópole como São Paulo é um organismo vivo. A cada dia a cidade se reinventa, são novos problemas e novas soluções.

Esse sistema complexo se sustenta nessa dinâmica única, que só experimenta quem vive em uma megacidade. São milhões de pessoas, construindo suas histórias em ambientes diversos com as mais variadas peculiaridades e demandas.

Governar um município como este não é de fato uma missão simples. Mas, a tarefa me parece um tanto mais complicadas quando aqueles que estão à frente desta empreitada se pautam pelo retrocesso.

Comecei este ano com a péssima notícia de que o prefeito Fernando Haddad vetou o projeto de lei nº 770/2013, do qual o vereador Laércio Benko (PHS) e eu somos autores, que criaria na cidade de São Paulo um sistema de táxis compartilhados. O projeto propõe o compartilhamento dos táxis em trajetos específicos e alternativos como forma de estimular a classe média a deixar o carro em casa.

A tarifa seria definida por percurso e quem usasse o táxi compartilhado poderia dividir a cobrança com os outros passageiros. A conta é bem simples: quanto mais gente no veículo, menor o custo para cada um dos passageiros e menos carros estariam nas ruas carregando apenas uma pessoa.

A ideia era fazer com que o paulistano que não usa ônibus e que prefere o carro, deixasse o carro em casa e fosse de táxi. Ou que também aqueles que utilizam o carro para ir a terminais de ônibus ou a estações do metrô fizessem esse percurso com o táxi compartilhado, o que diminuiria a lotação dos estacionamentos em volta desses pontos e, inclusive, o índice de roubos nessas localidades.

O prefeito justificou o veto da proposta com o argumento de que iniciativa semelhante já foi implantada na década de 90 e não foi bem-sucedida. Os táxis-lotação do século passado deram origem primeiro às lotações clandestinas e, posteriormente, às vans de lotação, que ainda circulam pela capital.

Vetar uma proposta inovadora e que pouco se parece com a experiência anterior, com base em acontecimentos de uma São Paulo de 20 anos atrás, é ignorar as transformações pelas quais a cidade passou nesse período.

Utilizando um exemplo atual, basta pensar se há 20 anos as centenas de quilômetros de ciclovias que estão sendo pintadas atualmente seriam plausíveis. A resposta é não. Hoje, no entanto, são totalmente plausíveis porque a cidade é um sistema mutante e evolui junto dos seus indivíduos.

O texto do veto coloca ainda a possibilidade de que os taxistas possam subverter o projeto, usando de forma não regulamentada e ilícita a nova modalidade, colocando-a como concorrente irregular do sistema de transporte coletivo.

Outra previsão que, no mínimo, ofende a classe dos taxistas. É justo vetar algo que pode ser bom para a cidade e sua população, colocando a culpa em uma classe e acusando-a previamente de ilícitos? Creio que não.

A decisão é também uma clara demonstração de que esta gestão pouco se preocupa em avançar na agenda da sustentabilidade. Ao contrário, insiste em acirrar a disputa entre os modais de transporte, em vez de aprimorá-los de forma complementar.

Para capitanear uma cidade como São Paulo é preciso olhar à frente, e não ter seus olhos fixos no retrovisor. O que Fernando Haddad vem fazendo, e fez mais uma vez no caso desse veto, é enfraquecer o Legislativo, ignorando as boas ideias que essa esfera produz.

O projeto seria bom para a cidade, para a população e para os taxistas. Com o veto, perdem todos.

RICARDO YOUNG, 57, é vereador em São Paulo pelo PPS. Foi presidente do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social


ADILSON AMADEU: CONTRIBUIÇÃO PARA O SUCATEAMENTO DA FROTA

São Paulo deveria adotar táxi compartilhado? Não

Ter mais por menos é sempre uma proposta tentadora e a economia colaborativa é bem-vinda ao propor que todos possam ganhar com o compartilhamento de bens e serviços. É simples e de fácil aplicação.

Na prática, entretanto, as coisas não funcionam bem assim. É o caso do táxi compartilhado. O projeto municipal esbarra na própria lei federal nº 12.468/2011 que regulamenta a profissão de taxista e define o serviço como um transporte público individual remunerado de passageiros e exige, em cidades com mais de 50 mil habitantes, o uso de taxímetro.

O projeto prevê a cobrança por trecho, tabelado. O passageiro embarca e desembarca onde deseja e tem mais comodidade –por exemplo, assento garantido e ar condicionado– desembolsando apenas um pouquinho a mais do que gastaria com ônibus, metrô ou trem.

Isso está certo? Não, está errado, pois não se pode comparar transporte de massa subsidiado com transporte individual (táxi), cujos custos são exclusivos do taxista.

Além disso, um veículo usado com carga e frequência máximas consome mais combustível, sofre maior desgaste e tem um custo de manutenção elevado.

Por lei, os táxis devem ter no máximo dez anos de uso. Na capital, a troca acontece, em geral, em torno dos cinco anos, quando os veículos começam a apresentar problemas, exigindo horas e dias parados trazendo prejuízo ao condutor. Como conciliar custos elevados com tarifas reduzidas?

O projeto do táxi compartilhado propõe a utilização de "caminhos alternativos aos das linhas de ônibus visando aumentar a velocidade média no percurso".

Ou seja, sugere que o taxista circule fora das faixas de ônibus, onde o usuário efetivamente ganha tempo e dinheiro, já que são os congestionamentos que encarecem o custo final. Por isso, acredito que o veto do prefeito Fernando Haddad foi correto.

O táxi-lotação oficial, criado em 1973, acabou extinto pela sua própria ineficiência, e não apenas por questões tarifárias.

Como no passado, hoje a medida não resultaria em benefício para a população, além de acirrar a competição nos pontos de maior demanda nos quais os ônibus e táxis já estão presentes.

Sob o aspecto ambiental, os ganhos da proposta também são discutíveis. A presença dos 33.700 táxis diante da frota de mais de 7 milhões de veículos registrados na cidade, não é significativa.

O próprio setor tem feito mais pelo meio ambiente. Segundo a Adetax (Associação das Empresas de Táxi do Município de São Paulo), praticamente 100% dos veículos das empresas fazem uso de combustíveis menos poluentes. São carros flex, movidos a GNV, híbridos e elétricos. Uma prática, em parte, também seguida pelos autônomos.

Ao tentar copiar a experiências de outros países, o projeto peca por não levar em conta aspectos culturais –pesquisas provam a preferência pelo transporte particular–, custos operacionais, legislação e situação do transporte público de massa local.

O táxi compartilhado não é solução para os problemas do setor. Continuará restrito a poucos. A categoria, obrigada a estender as jornadas para enfrentar a defasagem das tarifas em relação aos custos e à inflação, não foi ouvida.

Táxi não tem subsídio e sofrerá o impacto das medidas econômicas recém-anunciadas pelo governo federal (aumento de juros, IOF, Cide).

Apostar no compartilhamento visando exclusivamente à redução da tarifa só contribui para o sucateamento da frota em operação. Afinal, não existe almoço grátis.

ADILSON AMADEU, 64, empresário, é vereador em São Paulo pelo PTB


terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Retrato do atraso: prefeito veta o taxi compartilhado

O prefeito Fernando Haddad vetou nosso projeto de lei 770/13, aprovado na Câmara Municipal e que dispõe sobre a criação do Sistema de Taxi Compartilhado, numa clara demonstração de que esta gestão pouco se preocupa em avançar na agenda da sustentabilidade. Ao contrário, insiste em acirrar a disputa entre os modais de transporte, ao invés de aprimorá-los de forma complementar.

Ao rejeitar a iniciativa, que propõe o compartilhamento de taxi em trajetos específicos e alternativos como forma de estimular a classe média a deixar o carro em casa, o Prefeito parece optar por confundir o cidadão com informações, no mínimo, equivocadas, para não dizer de má fé.

Afirmar que o Sistema de Taxi Compartilhado assemelha-se às antigas lotações que deram origem às vans de transporte clandestino na década de 90 é no mínimo olhar pelo retrovisor e não conseguir vislumbrar possibilidades mais eficientes, modernas e criativas para desafogar o trânsito da cidade.

Não bastasse isso, esta afirmação é também ofensiva aos atuais taxistas ao considerar a possibilidade de que poderiam delinquir em atividades irregulares e lesivas ao erário público. Isso é julgamento precipitado, é atitude preconceituosa, é visão unilateral expressa numa justificativa claramente elaborada pela Secretaria dos Transportes e sequer questionada pelo Prefeito. É o retrato do atraso na gestão de uma cidade que deveria estar na vanguarda de um sistema intermodal de transporte coletivo eficiente e com preço justo.

Ricardo Young - Vereador