quarta-feira, 11 de março de 2015

"É intolerável pensar que o Parque Augusta possa ter outra destinação"

O vereador Ricardo Young (PPS) usou o Pequeno Expediente nesta terça-feira (10/3) e abordou a carta aberta às construtoras Cyrela e Setin pela doação onerosa do terreno do Parque Augusta. Leia abaixo a íntegra.

“Ontem (9) tivemos um dia muito importante, de mais um avanço em relação à defesa do espaço verde e do meio ambiente na cidade. Nós temos, como vocês sabem, discutido e trabalhado para construir uma solução para o Parque Augusta. Tentamos de todas as formas fazer as partes interessadas sentarem, discutirem uma solução, uma vez que nós temos na cidade crises de água, de meio ambiente e de espaços de lazer, crescentes. Crises estas que são ainda maiores aqui no centro de São Paulo. Nós precisamos de, no mínimo, 12m² de área verde por pessoa e nós temos menos de três e em alguns pontos da cidade menos de um.

Então, é intolerável se pensar que uma área tão nobre e tombada como o Parque Augusta possa ter outra destinação que não o parque. Nós conseguimos em dezembro de 2013 passar a legislação que garantiria que aquela área seria um parque e começamos uma conversa com todas as partes interessadas, principalmente as construtoras, para uma solução. Mas, infelizmente, essa solução não foi alcançada através das negociações e finalmente ontem (9) a Frente Parlamentar pela Sustentabilidade, juntamente com a Rede Nossa São Paulo e o Ministério Público, na presença do secretário do Verde e Meio Ambiente e do representante da Secretaria dos Negócios Governamentais, assinou uma carta aberta para que as construtoras Cyrela e Setin façam a doação onerosa do terreno do Parque Augusta.

Por que doação onerosa? Porque compreendemos que as construtoras fizeram investimentos e que há a necessidade de ressarci-las sobre isso. Também compreendemos que a Prefeitura tem recursos limitados pra fazer uma desapropriação ampla, então a solução pra isso seria uma doação onerosa onde os recursos já previstos pelo Ministério Público, em torno de R$ 70 milhões, seriam mais que suficientes para ressarcir as construtoras, uma vez que na compra do terreno, há cerca de dois anos, elas desembolsaram R$ 63 milhões.

Ao doarem o terreno para a municipalidade as construtoras estariam fazendo dentro do melhor espírito da responsabilidade social, um grande bem, uma grande contribuição para a cidade. É evidente que a construção civil tem sido privilegiada nesta cidade, é evidente que a cidade tem sido mais do que generosa com este setor, inclusive sacrificando ruas e parques, em nome do “progresso”.
Mas, não estou aqui discutindo nem a natureza das nossas políticas públicas que têm privilegiado a construção civil. Minha pergunta é: por que o setor não devolve à cidade aquilo que a cidade tem feito por ele? E aqui o Parque Augusta é um exemplo emblemático: a sociedade civil, o parlamento, o Ministério Público e setores do Executivo estão apoiando a criação do parque, mas as construtoras estão resistindo e o prefeito ainda não mostrou a boa vontade necessária.

Falo também aqui da decisão do Conpresp (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo) que, no final de janeiro, acabou artificialmente valorizando a área e dando às construtoras mais um argumento para discutir uma desapropriação a partir de valores impossíveis de serem pagos. Portanto, vamos voltar à realidade, nós estamos vivendo uma crise econômica, o mercado imobiliário está em queda, nós temos uma desvalorização progressiva dos imóveis e não tem o mínimo sentido o Conpresp aprovar o projeto das construtoras que jogam o valor do terreno de R$ 63 milhões para R$ 240 milhões.

Portanto, quero parabenizar a Frente Parlamentar pela Sustentabilidade, na pessoa do seu novo presidente agora, o vereador Gilberto Natalini (PV), a Rede Nossa São Paulo, na pessoa do seu presidente Oded Grajew, por essa iniciativa. Muito obrigado.”

MP promete investigar votações de Adilson Amadeu no Compresp



Reportagem da repórter Adriana Ferraz no O Estado de S. Paulo desta quarta-feira (11/3 – Página A12 – “Ação irregular de vereador em conselho pode barrar prédios no Parque Augusta”) traz dúvidas a respeito da votação realizada pelo Conselho Municipal do Patrimônio Histórico, Cultural, Ambiental da Cidade de São Paulo (Compresp), que autorizou a construção de quatro prédios no terreno do Parque Augusta, região central da cidade. 

Segundo a matéria, a proposta aprovada pelo órgão público contou com o voto do vereador Adilson Amadeu (PTB), cuja indicação para um novo mandato, em 2013, não seguiu as regras da Câmara Municipal, que prevê a votação da indicação do membro do parlamento em plenário. Com isso, discute-se a legalidade das ações do petebista no Compresp. MP prometeu investigar. 

terça-feira, 10 de março de 2015

PL obriga monitores em toda frota de ônibus da Capital


Aprovado em segunda votação nesta quarta-feira (10/3), o Projeto de Lei 765/13, de autoria do vereador Ricardo Young (PPS), obriga a instalação de monitores em toda a frota de coletivos do transporte público municipal como fonte de informações sobre o itinerário das respectivas linhas, incluindo a localização dos equipamentos de serviços públicos. O projeto segue para a sanção da Prefeitura. 

Os custos serão arcados pelos concessionários e permissionários do sistema, que poderão buscar parcerias na iniciativa privada. A veiculação de eventual propaganda comercial no sistema de monitores deverá ser orientada pela SPTrans. O percentual de veiculação de propaganda comercial exclusiva, legendada ou por inserção de logomarca de produto obedecerá ao limite de no máximo 30% da grade de programação. 

“A veiculação de informes de utilidade pública, conteúdo jornalístico, cultural ou de entretenimento deverá ocupar 70% da programação. A prestação de serviços será o principal objetivo do sistema”, explica o vereador. Segundo ele, os monitores trarão endereços de postos de saúde, escolas, bibliotecas, delegacias, postos do Corpo de Bombeiros, entre outros. 

Para o líder do PPS, o projeto também é uma ação pedagógica e mobilizadora que poderia incluir ainda informações e orientações sobre eventos da cidade como a Virada Cultural, Virada Sustentável, São Paulo Fashion Week, entre outros. 

Young: “Estamos fazendo um apelo ao setor privado pra que exerça sua cidadania empresarial”


Durante reunião da Frente Parlamentar pela Sustentabilidade no último dia 9 de março, o vereador Ricardo Young (PPS) pediu “cidadania empresarial” às construtoras donas do terreno do Parque Augusta. O parlamentar pediu a doação onerosa da áerea para a municipalidade. Confira a íntegra:

“A questão do Parque Augusta é emblemática, não só porque é um espaço vital pela questão ambiental, mas também porque coloca em cheque a política de ocupação imobiliária na cidade. É uma questão que tem colocado em cheque a transparência e o grau de diálogo político que as partes envolvidas estão dispostas a fazer. A Frente Parlamentar pela Sustentabilidade tem, há pelo menos um ano e meio, procurado promover diversos momentos em seminários, em audiências públicas e conversas com o Ministério Público, a aproximação das partes. Nós procuramos demonstrar que o processo de se criar condições de uma solução coletiva seria o melhor nesse caso. Mas, ficamos surpresos, depois de diversas tentativas, em ver que as construtoras resolveram o seu problema diretamente com a Prefeitura. Não ouvindo a sociedade civil organizada, não ouvindo esta Casa, não ouvindo as diversas forças e os diversos grupos que estão envolvidos na questão do Parque Augusta.

Existe aqui eminentemente uma questão do interesse privado contrastando com o interesse público. Se, eventualmente, o interesse privado pudesse prestar um serviço público, o interesse privado poderia até ser parte da solução, mas o que ocorreu aqui é que o interesse privado não ouviu o interesse público e insiste em soluções no campo legal, e de uma legalidade possivelmente questionada, e feita diretamente com o Executivo. Temos aqui representantes do Executivo e eles sabem, como os senhores e as senhoras sabem, e como nós sabemos, que traçar uma solução obedecendo apenas o interesse privado e de lucro das empreiteiras naquele espaço não é mais possível!

A cidade já vem se afundando e padecendo sistematicamente de políticas equivocadas sobre o meio ambiente. Nós temos situações de parques que estão, inclusive no Plano Diretor Estratégico (PDE), mas não estão sendo implantados. Temos situações de áreas de mananciais que estão sendo ocupadas sistematicamente, onde a população legitimamente defende as áreas verdes e mananciais, como citado o Parque dos Búfalos, onde de novo o interesse imobiliário que está prevalecendo. Vivemos uma crise hídrica, a maior de todos os tempos. O que é necessário mais se dizer que esta cidade não suporta mais nenhuma agressão contra ao meio ambiente?

O que mais é necessário, que evidências mais nós precisamos para aprender que esta cidade, se não forem regenerados os serviços ambientais mínimos, vai entrar em colapso?

O Parque Augusta é simbólico nisso. Não é apenas uma área verde! É uma área que expressa o quão debilitado tem sido a atenção da sociedade, do poder público e do setor econômico com a questão ambiental na cidade. Então, essa solicitação que nós fizemos, ao contrário do que pode parecer, não é uma solicitação de doação apenas. Nós estamos propondo uma doação que pode inclusive ser negociada com a Prefeitura na questão da doação onerosa, pois existem recursos que possibilitam alguma indenização justa. Mas, o mais importante disso é que nós estamos fazendo um apelo ao setor privado pra que exerça sua cidadania empresarial dentro dos princípios da responsabilidade social e contribua para que esta cidade seja um pouco mais viável ambientalmente. Não precisamos dizer o quanto a Cyrella e a Setin tem feito de bom pra esta cidade. Precisamos dizer qual o patrimônio líquido que estas empresas têm? Não precisamos dizer que esta cidade tem sido generosa com o setor imobiliário. É hora de o setor imobiliário resgatar a contrapartida. Então, quando o Ministério Público, quando a Câmara Municipal, quando os representantes da Prefeitura aqui estão fazendo esse apelo é porque chegou-se ao limite da tolerância da indiferença do setor imobiliário para com a cidade.

No melhor espírito construtivo, nós estamos fazendo essa proposta e alertando tanto ao setor imobiliário como a população em geral que, a persistir no descaso com o meio ambiente da cidade de São Paulo, a nossa situação vai chegar para além do colapso. Nós estamos aqui, diante de um caso emblemático, e nós temos que olhar para esse caso emblemático e respeitá-lo como uma possibilidade de revertermos esse descaso e começarmos a construir a regeneração ambiental na cidade. Muito obrigado!"

Carta aberta às construtoras pede doação onerosa do terreno do Parque Augusta


Os vereadores da Frente Parlamentar pela Sustentabilidade, a Rede Nossa São Paulo e a SAMORCC (Sociedade dos Amigos Moradores e Empreendedores do Bairro Cerqueira César) formalizaram nesta terça-feira (9/3), na Câmara Municipal de São Paulo, a assinatura de uma carta aberta às construtoras Cyrela e Setin pedindo a doação onerosa do terreno do Parque Augusta à Prefeitura Municipal de São Paulo.

Estavam presentes no evento os vereadores Gilberto Natalini (PV), Ricardo Young (PPS) e Police Neto (PSD), o secretário municipal do Verde e Meio Ambiente, Wanderley Meira do Nascimento, o representante da Secretaria Municipal de Relações Governamentais, Danilo Pitarello Rodrigues, o coordenador executivo da Rede Nossa São Paulo, Oded Grajew, o Promotor de Justiça em São Paulo, Sílvio Antonio Marques, e a representante SAMORCC (Sociedade dos Amigos Moradores e Empreendedores do Bairro Cerqueira César), Luciana Lancellotti.

As construtoras foram convidadas a compor a mesa de diálogo, mas não enviaram representantes.

O documento chama a atenção das empreiteiras em relação ao valor ambiental do terreno e destaca que “A cidade de São Paulo é extremamente carente de espaços verdes. A expansão imobiliária ao longo de vários anos deixou a cidade com poucos parques e espaços públicos. Parques são fundamentais para diminuir a poluição do ar responsável pelo maior problema de saúde do município que são as doenças respiratórias que atingem principalmente crianças e idosos”.

Tida como emblemática pelos vereadores, a questão do Parque Augusta está em evidência devido à reintegração de posse que, na semana passada, retirou do local manifestantes que ocupavam o espaço pedindo a preservação da área verde. “Não é só um espaço emblemático porque é vital pela questão ambiental da cidade. É um espaço emblemático também porque coloca em cheque a política de ocupação imobiliária. É emblemático porque questiona a transparência e o grau de diálogo político que as partes envolvidas estão dispostas a fazer”, enfatizou o vereador Ricardo Young.

O promotor Sílvio Antônio Marques reiterou que o Ministério Público defende a destinação da integralidade dos dois terrenos que compõem a área para a criação do parque e que tentará, até o fim, o diálogo e negociação com todas as partes antes de qualquer intervenção legal (até para evitar a morosidade burocrática). “Estamos em diálogo também pela destinação de verbas indenizatórias que a cidade tem a receber para a compra do terreno. Mas, é preciso trabalhar com números reais. O poder público está disposto a oferecer pelo terreno de R$ 70 a R$ 100 milhões, valor bem diferente do preço de 240 milhões propostos pelas construtoras”, disse.

Em relação ao valor do terreno, o vereador José Police Neto lembrou que o cerne da questão é a resolução, a seu ver ilegal, do Cronpresp (Conselho de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo). “Eles deram o valor do terreno como se aquele espaço fosse destinado à prédios, quando já foi dito e redito que aquela área será destinada a parque. Está no PDE (Plano Diretor Estratégico) e em lei específica. O Concresp viabilizou tanto a posse do terreno quanto sua especulação imobiliária ao elevar o seu preço abusivamente para 240 milhões, sendo que seu valor de compra foi de, segundo apuração dos documentos de compra, no máximo 70 milhões. Um conselho composto por poder público e população não olhou os interesses nem de um, nem de outro”, destacou. Para ele, o caminho é que o Ministério Público consiga derrubar esta decisão do Conpresp, ideia corroborada pelo promotor Marques.

Os movimentos sociais também estiveram presentes no diálogo e se manifestaram de forma positiva em relação ao proposto. Como as construtoras Cyrela e Setin não participaram do debate, os vereadores da Frente Parlamentar pela Sustentabilidade levarão a carta aberta às empresas nos próximos dias.

Confira a íntegra da carta:

CARTA ABERTA 

ELIE HORN – PRESIDENTE CYRELA E ANTÔNIO SETIN- PRESIDENTE SETIN

A cidade de São Paulo é extremamente carente de espaços verdes. A expansão imobiliária ao longo de vários anos deixou a cidade com poucos parques e espaços públicos. Parques são fundamentais para diminuir a poluição do ar responsável pelo maior problema de saúde do município que são as doenças respiratórias que atingem principalmente crianças e idosos. São também muito importantes como espaços públicos de lazer e convivência que melhoram a qualidade de vida da comunidade e promovem a integração e a inserção social, além de manterem o solo permeável evitando alagamentos e ajudando o regime de chuvas e a preservação dos recursos hídricos.

Por todas estas razões, é importantíssimo viabilizar o Parque Augusta em 100% daquela área. Achamos que está na hora da Cyrela e da Setin retribuir para a cidade um pouco do muito que a cidade lhes proporcionou. As empresas e o controvertido setor imobiliário têm uma dívida com São Paulo.

Em sociedades e países onde a responsabilidade social é levada a sério, os empresários fazem vultuosos investimentos e doações nas suas comunidades. Nossa proposta é que a Cyrela e a Setin, em ato de generosidade e grandeza, façam a doação do terreno para a cidade. Com isso, deixariam um legado valioso que seria reconhecido por muitas gerações de paulistanos. Seria um motivo de orgulho para as empresas, seus funcionários e familiares.

Neste sentido, confiamos na vossa sensibilidade e sabedoria.

__________________________
Gilberto Natalini 
Presidente Frente Parlamentar pela Sustentabilidade
_________________________
Ricardo Young
Vice Presidente Frente Parlamentar pela Sustentabilidade
__________________________ 
Toninho Véspoli 
Secretário Frente Parlamentar pela Sustentabilidade
__________________________ 
Andrea Matarazzo
Membro Frente Parlamentar pela Sustentabilidade
_________________________
Abou Anni 
Membro Frente Parlamentar pela Sustentabilidade
__________________________
Ari Friedenbach 
Membro Frente Parlamentar pela Sustentabilidade
__________________________ 
Aurélio Nomura
Membro Frente Parlamentar pela Sustentabilidade
__________________________ 
Eduardo Tuma 
Membro Frente Parlamentar pela Sustentabilidade
_________________________ 
José Police Neto
Membro Frente Parlamentar pela Sustentabilidade
__________________________ 
Laércio Benko 
Membro Frente Parlamentar pela Sustentabilidade
_________________________
Mário Covas 
Membro Frente Parlamentar pela Sustentabilidade
__________________________ 
Célia Marcondes
Diretora Jurídica da SAMORCC – Sociedade Amigos, Moradores e Empreendedores do Bairro Cerqueira César
_________________________
Oded Grajew 

quinta-feira, 5 de março de 2015

Câmara aprova projeto que prevê advertência e multa para desperdício de água



Com voto favorável do líder do PPS, vereador Ricardo Young, foi aprovado durante Sessão Extraordinária desta quarta-feira (4/3), em segunda votação, o Projeto de Lei (PL) 311/14, de autoria da CPI da Sabesp e encampada pelo Executivo, que “proíbe a lavagem de calçadas e com água tratada ou potável e fornecida por meio de água da rede da Sabesp que abastece o Município”.

De acordo com a nova proposta, a ação de desperdício de água tratada será passível de multa no valor de R$ 250, mas apenas em caso de reincidência. Na terceira vez em que isso ocorrer, o valor cobrado duplica e passa para R$ 500.

Emenda

O Governo aprovou emenda ao projeto que permite o uso de recursos do Fundo Municipal de Saneamento Ambiental e Infraestrutura (FMSAI) para a construção de cisternas em equipamentos públicos por parte da Sabesp. O líder do PPS votou contra, e explicou: 

"Estamos invertendo o papel do Fundo, que foi criado com a finalidade de retirar as pessoas das áreas de risco,  dos fundos de vale. Recursos para ajudar a população que que mora em moradias precárias, sem saneamento básico. Portanto, o Fundo é para construir habitações de interesse social, e não para ajudar a Sabesp a construir cisternas em locais públicos", advertiu o vereador. 

quarta-feira, 4 de março de 2015

Young: “Água não se economiza, se respeita”


O vereador Ricardo Young, líder do PPS, usou o Grande Expediente da Câmara na sessão plenária desta terça-feira (3/3) para chamar atenção para a questão da água e da necessidade de um olhar sistêmico sobre a preservação do meio ambiente.

Segundo o vereador, mais urgente do que a necessidade de economizarmos, é criarmos uma consciência de consideração da água, não apenas como um bem de consumo, mas “como se fosse uma pessoa da família”. 

Young aproveitou também para agradecer pelos trabalhos na Comissão de Saúde, já que, a partir de hoje, deixará essa Comissão para compor a Comissão de Trânsito, Transporte, Atividade Econômica, Turismo, Lazer e Gastronomia. Segue a íntegra do discurso e o documento usado pelo vereador para a sua exposição -  http://goo.gl/8x6nqX

“Como a maioria de vocês deve saber, eu sou um empresário de origem. No meio empresarial, a água há muito tempo não é encarada como um insumo de pouco valor. Principalmente para as indústrias ela é, muita vezes, a matéria prima principal e tratá-la com respeito é uma questão de garantia econômica da empresa.

Infelizmente esse pensamento que já é perene no meio empresarial precisou de uma crise como a que vivemos para emergir. A Câmara precisou que as torneiras literalmente secassem, que chegássemos ao estado que estamos para trazer o tema da água a tona. Temos projetos de grande qualidade parados na Casa há anos e a prova disso é que agora eles estão aparecendo. Mas o fato é que a situação em que a cidade se encontra agora foi meticulosamente talhada gestão após gestão.

Nesta primeira ilustração é possível ver como as áreas verdes do estado de São Paulo foram dissipadas ano após ano.

A falta de senso de pertencimento do homem em relação à natureza fez com que estupidamente pensássemos que poderíamos dissipar tudo e que o ambiente continuaria nos fornecendo aquilo que necessitamos. Mas, sem as ferramentas necessárias, a natureza simplesmente é incapaz disso. Sem verde não há água, não há ar puro e é uma pena que tenhamos demorado tanto para perceber algo tão óbvio, se é que já percebemos.

A cidade de São Paulo é a maior mancha urbana do continente e nossos índices de área verde são baixíssimos. Enquanto o recomendado é que as cidades tenham em média 12 metros quadrados de verde por pessoa, nós temos apenas 2,6 metros quadrados. A situação é ainda pior em alguns bairros, como a Mooca, onde esse número é de 0,35 metros quadrados. Devem ser as plantas nos jardins das casas...

O resultado todos conhecemos: são os reservatórios vazios. Digo isso me atendo à esfera do município de São Paulo, sem mencionar a devastação da Amazônia, que afetou o ciclo de chuvas e contribuiu também para o quadro atual. Mas não vou falar do panorama macro porque é preciso destacar as responsabilidades e parar com o jogo de empurra. O município mesmo em plena crise segue não tomando para si as responsabilidades que lhe pertencem, negligenciando as áreas verdes da cidade. Temos exemplos disso estampados diariamente nos jornais: para mencionar apenas os casos mais recentes, temos o Parque Augusta, o Parque Vila Ema e o Parque dos Búfalos.

Mas a despeito da quase inanição do poder público, a sociedade civil não é cega. A Câmara discute água há dois meses, mas a sociedade civil já encabeça este debate há muito tempo, com um nível técnico elevadíssimo. Temos que parar de tentar inventar a roda e ouvir mais a sociedade civil. Um exemplo riquíssimo é a Aliança pela Água. A Aliança é uma rede, formada por 40 entidades da sociedade civil, que se reúnem desde outubro do ano passado, com o objetivo de alertar e elaborar propostas que ajudem o Estado de São Paulo a lidar com a crise e construir uma nova cultura de uso da água. Eles elaboraram um plano de emergência e responsabilidades políticas, com algumas ações imediatas e levaram essa carta ao executivo, mas não foram ouvidos. Esse plano que eles elaboraram pede que os órgãos públicos responsáveis assumam cinco compromissos:

1 – instalação de força tarefa para gestão de crise em âmbito estadual com participação de municípios e sociedade.

Dentro deste tema eles pedem em resumo:

• criação de comitês de trabalho por ações prioritárias com participação dos responsáveis por sua implantação e acompanhamento da sociedade civil;

• e implementação de medidas de gestão da oferta, como redução de pressão, rodízio e racionamento de água, de forma transparente e responsável;

2- plano articulado e coordenado de gerenciamento de oferta de água
Isso inclui:

• planejamento conjunto com prefeituras para apoiar elaboração de planos de contingência municipais;

• garantir serviços essenciais;

• logística para distribuição de água com planos de tráfego para circulação de caminhões pipa, realização de obras urgentes e reparos na rede de distribuição para minimizar vazamentos;

• fiscalizar qualidade e tabelar preço da água potável, como de caminhões pipa e água mineral. Este é um ponto muito relevante, porque se isso tivesse sido feito, a gente evitaria situações como esta que foi noticiada pelo jornal Diário de São Paulo, que fala de uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento) no Jabaquara que deixou de atender pacientes por falta de água.

3 - comunicação institucional, com foco em educação, autonomia hídrica, engajamento e mídia.

4 - discutir e detalhar alternativas emergenciais e de médio prazo para garantir abastecimento de água.

Este item inclui:

• regulamentação e fiscalização do uso de águas não potáveis implantadas por prefeituras e estado;

• regulação e orientação para captação de água de chuva em diferentes escalas, como domiciliar e equipamentos públicos;

• organizar força-tarefa para a implementação de cisternas e caixas d'água, especialmente em bairros de baixa renda;

• regulamentação para o reuso de água com alto grau de poluição, como a armazenada em piscinões;

• fiscalização, análise e regulação do uso de água subterrânea, como poços e nascentes;

• verificar status das outorgas e estabelecer usos prioritários;

• identificação e monitoramento de nascentes em parques e outros locais que podem ser utilizados como fontes alternativas de água;

• convocar laboratórios de análise e realizar “mutirão” de testes de qualidade da água;

• divulgar os resultados de qualidade nos poços e nascentes para evitar usos indevidos da água;

• plano para ampliação da oferta de água em caráter emergencial ao longo de 2015, com descrição de custos, prazos e responsáveis pelas ações;

• amplo programa de redução e controle de perdas na rede, com identificação de locais com maior incidência de vazamentos e ações integradas com prefeituras, estabelecendo metas de eficiência no curto prazo (2015);

• ampliação do consumo de água de reuso por grandes consumidores: revisão da política tarifária e dos contratos de demanda firme (grandes consumidores) e negociação para migração para água de reuso;

• identificação e revisão de outorgas de indústrias e grandes produtores agropecuários.

5 - pacto social pelo desmatamento zero e recuperação das áreas de mananciais do estado de São Paulo.

A Câmara Municipal de São Paulo tem obrigação de encampar estas ideias, de ser um porta-voz das demandas que emergem da sociedade. A Câmara deve ser o centro da produção intelectual de políticas públicas para a cidade. Temos um orçamento expressivo, um corpo técnico qualificado. Deveríamos ser o celeiro de projetos inovadores na busca de soluções para os problemas da cidade, como é a questão da água. É aqui que o executivo deveria buscar inspiração e diretrizes.

A Câmara deve provocar a reflexão dos desafios do século vinte e um, reunir os melhores pensadores, indicar caminhos mais arrojados e avançados, que tratem a cidade de forma integrada e articulada com os diversos setores da sociedade e os demais municípios da região metropolitana.
É preciso se inspirar nas boas e criativas práticas internacionais e no que há de mais avançado na ciência e na tecnologia, nos movimentos sociais internacionais e no pensamento contemporâneo, que derrubou fronteiras geográficas e unificou o mundo, como um imenso organismo que funciona de forma sistêmica para atuar no curto e no longo prazo e realmente promover as transformações necessárias.

É imprescindível olhar para os alertas da natureza, para os desastres provocados pelos fenômenos climáticos intensos, para a escassez dos recursos naturais, para o impacto provocado pela ação humana irresponsável, o crescente desmatamento e o crescimento desordenado das cidades, para citar apenas alguns aspectos. É necessário mudar o paradigma da política tradicional que permanece estagnada numa polarização partidária estúpida, um jogo de empurra para fugir das responsabilidades e que cada vez mais inviabiliza o diálogo entre o legislativo, o executivo e a sociedade.

A produção legislativa atual não gera impactos reais na cidade. A atuação parlamentar individual que prioriza pequenos projetos para atender a interesses eleitoreiros, de varejo, tem representado o atraso desta instituição. Está mais do que na hora de a Câmara Municipal de São Paulo sair na frente como produção legislativa robusta, relevante e que efetivamente provoque os impactos positivos e as transformações de que a cidade tanto necessita para voltar a ser produtora de serviços ambientais e que se caracterize por uma gestão pública eficiente, moderna, transparente e sustentável.

Queria encerrar voltando a falar de água, com uma frase que tem sido muito repetida e que considero emblemática. Todo mundo tem falado de economizar água, mas o fato é que a água é como uma pessoa da família, não se economiza, se respeita.

Quero aproveitar a oportunidade para agradecer a todos os membros da Comissão de Saúde pelo trabalho conjunto realizado no ano de 2014. Saio com a sensação de que os resultados foram positivos e com a certeza de que a nova composição dará continuidade a este trabalho. Mas, não vamos abandonar o tema. Meu mandato acompanhou ontem a reunião promovida pelo vereador Gilberto Natalini, que tratou da organização do evento comemorativo do Dia Mundial da Saúde, que será em 7 de abril. O debate vai ter como objetivo discutir a qualidade do atendimento do SUS no município de São Paulo e pedir mais recursos para a saúde. Muito obrigado!”

Vereadores aprovam CPI dos Planos de Saúde; Young é contra


A Câmara aprovou na tarde desta terça-feira (3/3) a Comissão Parlamentar de Inquérito que investigará os planos de saúde na cidade. A comissão, que será presidida pela vereadora Patrícia Bezerra (PSDB) - proponente da ação - sepultou, por enquanto, a CPI das Ciclovias, proposta pelos tucanos e que tinha o aval de Ricardo Young (PPS).  

“O prefeito não pode perder a oportunidade de fazer das ciclovias uma grande bandeira do seu mandato. Eu acho que, se eu fosse prefeito, eu incentivaria a CPI da Ciclovia justamente porque esse assunto vai ao encontro do interesse público”, enfatizou. Apesar de considerar o mérito da CPI proposta pela veredora Patrícia Bezerra, o líder do PPS defende que a questão dos planos de saúde é de competência da ANS - Agência Nacional de Saúde.

Ouça AQUI a entrevista do vereador líder do PPS à Rádio Bandeirantes. 

terça-feira, 3 de março de 2015

Vereadores protocolam suspensão de reintegração de posse do terreno do Parque Augusta


Os vereadores Ricardo Young (PPS), Toninho Vespoli (PSOL), Gilberto Ntalini (PV) e Aurélio Nomura (PSDB) protocolaram ontem (3/3) na Prefeitura Municipal de São Paulo um requerimento que pede a suspensão da reintegração de posse do terreno do Parque Augusta.

O documento destaca que a realização da reintegração "trará mais revolta e desgastes políticos, e que nenhum prejuízo representa a manutenção dos jovens na área, os quais fazem guarda permanente do local".

Young volta para a Comissão de Trânsito e Transportes


O vereador e líder do PPS na Câmara Municipal, Ricardo Young, fará parte da Comissão de Trânsito, Transportes, Atividade Econômica, Turismo, Lazer e Gastronomia no ano de 2015. A presidência ficará a cargo do vereador Toninho Paiva (PR/DEM) e a vice com o petista Senival Moura. 

Young afirmou que a está preparado e confiante para voltar à Comissão. “Temos muitos assuntos que estão na ordem dia para debatermos, como a polêmica questão das ciclovias, uma boa iniciativa da Prefeitura, mas que está sendo tocada com alguns equívocos”, disse ele. O líder do PPS também lembrou que a nova licitação do transporte público deverá tomar corpo em 2015. "Precisamos renovar a nossa frota e retirar de circulação os ônibus com mais de dez anos de vida".

Além dos parlamentares citados, fazem parte da Comissão os vereadores Váva (PT), Marco Aurélio Cunha (PSD) e Adolfo Quintas (PSDB)