quarta-feira, 7 de outubro de 2015

GCM terá poder de polícia para coibir invasões em áreas de mananciais



A Câmara aprovou nesta quarta-feira (7/10) o Projeto de Lei 386/13, de autoria do vereador Alfredinho (PT), que amplia o poder de fiscalização da Guarda Civil Metropolitana no âmbito da proteção ambiental, ou seja, permite a GCM atuar em igualdades de condições à Polícia Militar no trabalho de desocupação de invasões em áreas de preservação ambiental e de mananciais. 

A solicitação para aprovação do Projeto na sessão de hoje partiu da Comissão de Meio Ambiente da Casa, durante audiência do colegiado no dia de ontem, e por trabalho pessoal do vereador Ricardo Young em reunião do Colégio de Líderes. 

“Agora a responsabilidade está a cargo do prefeito em sancionar essa lei, de extrema importância para a proteção ambiental na Cidade”, disse o líder do PPS. O projeto vai à sanção. 

Parque dos Búfalos

Na contramão ambiental, a Comissão de Constituição e Justiça considerou ilegal o PL 533/14, que declara de utilidade pública a área do Parque dos Búfalos, no bairro do Jardim Apurá, no extremo sul da cidade.

“Sou coautor deste projeto que foi derrotado por cinco votos a quatro, em uma sessão confusa e cheia de contradições, em que o parecer do relator era pela legalidade do projeto e seu representante na sessão votou contrariamente ao texto”, explicou Young.

A área, a beira da represa Billings, tem sido alvo disputas entre o movimento de moradia e movimentos em defesa da manutenção da área verde, que é repleta de nascentes.

A Prefeitura já iniciou a execução de um projeto que pretende subir no local o Residencial Espanha, com 193 torres. O Executivo garante (mas não diz como) que levar 20 mil pessoas para viver em uma região carente de infraestrutura não levarão impactos sociais e ambientais negativos.

“Lamento estas decisões tortuosas e obscuras, ma continuo lutando para que sejam revertidas, e torcendo que o bom senso chegue à mente de nossos gestores”, finalizou Young.


Comissão de Transporte pede esclarecimentos sobre atraso nas obras do monotrilho

A Comissão de Trânsito, Transporte, Atividade Econômica, Turismo, Lazer e Gastronomia aprovou hoje (7) um requerimento para que o secretário de Transporte Metropolitano, Clodoaldo Pelissioni, preste esclarecimentos sobre o atraso na construção do chamado “monotrilho”. A obra, prevista para ser entregue em cinco anos, teve início em 2009 e ainda está longe de sua conclusão.

Os vereadores aprovaram ainda os projetos de lei: 488/2011, do vereador Dalton Silvano (PV), que estabelece critérios para a instalação e fiscalização de brinquedos de diversão em buffets infantis; 554/2011, do parlamentar Quito Formiga (PR), que estabelece a demarcação de ciclovias nas avenidas de acesso aos parques e grandes áreas de lazer; 464/2014, do vereador David Soares (PSD), autorizando a prefeitura a criar convênios com as operadoras de telefones móveis; 38/2015, de autoria de Paulo Fiorilo (PT), que dispõe sobre a implantação de pontos de energia elétrica nos ônibus, pontos de ônibus e demais equipamentos e dependências de transporte público; 126/2014, do parlamentar Toninho Paiva (PR), sobre a instalação de caixas eletrônicos em altura compatível para cadeirantes e pessoas portadoras de nanismo; 132/2015, do vereador Adolfo Quintas (PSDB), sobre a importância de constar nas embalagens de aparelhos de telefonia móvel o código de “identificação internacional de equipamento móvel” (IMEI); e 270/2014, do vereador Marcos Belizário (PV), que cria o serviço de ônibus executivo no sistema de transporte urbano coletivo. O último deles foi elogiado pelo vereador Ricardo Young (PPS).

Ele lembrou que “há um grande esforço na cidade para melhorar as questões de mobilidade e diversificar os modais de transporte. Nós já falamos algumas vezes que a única forma da classe média deixar o carro em casa é melhorar o serviço de transporte público, individual e também criar novos modais, dentre eles o transporte Executivo”.

Comissão cobra assinatura do convênio Defesa das Águas


Site da Câmara Municipal 

Vereadores e população cobraram nesta terça-feira (6/10) da prefeitura e do governo do Estado que o convênio Operação Defesa das Águas seja assinado. O pedido foi feito durante audiência pública realizada pela Comissão do Meio Ambiente para discutir ações para inibir invasões nas áreas de proteção aos mananciais.

Iniciado em 2007, a Operação Defesa das Águas prevê um conjunto de medidas dos governos municipal e estadual para proteger, controlar e recuperar as áreas de interesse público, ambientais e de mananciais. “Esse convênio é fundamental e precisamos que ele seja assinado”, sinalizou o presidente do colegiado, vereador Ricardo Young (PPS).

O subprefeito de Parelheiros, zona sul, Nilton Oliveira, explicou que o trabalho em conjunto dos poderes é necessário para ajudar a combater as ocupações irregulares. “Precisamos que esse Operação Defesa Das Águas seja assinada porque tem crimes ambientais que a autuação só pode ser feita por instituições estaduais”, declarou.

O secretário Estadual do Meio Ambiente, Eduardo Trani, não soube precisar uma data para a assinatura do convênio. “Reitero a posição da Secretaria que todos os esforços estão sendo feitos para que esse convênio seja assinado o mais breve possível”, respondeu.

Durante a audiência, vereadores e cidadãos discutiram a necessidade de se aprovar o Projeto de Lei (PL) 386/2013, do vereador Alfredinho (PT), para ampliar o poder fiscalizatório da Guarda Civil Metropolitana no âmbito da proteção ambiental. “O desafio é não deixar ocupar essas áreas de mananciais e por isso é necessário que a polícia consiga fiscalizar e prender aqueles que estão fazendo coisas irregulares”, explicou o autor da proposta.

O vereador Ricardo Nunes (PMDB) mostrou-se favorável ao projeto e falou sobre a necessidade dos governos fazerem legislações mais simples para proteger a natureza. “Precisamos de leis simplificadas, porque quanto mais dificuldade tiver, menos vamos conseguir proteger o meio ambiente”, declarou.

O tenente coronel Décio Leão, comandante da 1ª Companhia da Polícia Ambiental, explicou a atuação dos policiais no município. “Fazemos um trabalho de patrulhamento e a qualquer sinal de informação sobre invasão deslocamos uma equipe para fiscalizar o local. No caso da Polícia Ambiental, não temos força legal de coibir, mas fazemos autuação”, contou.

Na tentativa de ajudar a combater as ocupações, a diretora da AMTCI (Associação Empresarial de Parelheiros), Solange Aparecida Dias, pediu ajuda aos parlamentares para iniciar um movimento voltado para a zona sul. “Vamos criar o SOS Parelheiros de Olho nas Áreas Ocupadas para orientar a população que está sendo enganada pelos especuladores, que vendem terrenos em áreas que não poderiam ter construções”, revelou.

O presidente da Comissão do Meio Ambiente garantiu apoio. “Precisamos alertar essa população vulnerável que está sendo vítima de estelionato”, sinalizou. “E vamos trabalhar para que o projeto de lei tramite e avance para fortalecer o trabalho da Guarda Metropolitana para ajudar na atuação de ocupações irregulares”, disse Young.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Segunda Paulistana debateu a atuação dos conselhos da cidade


Trazer o olhar e a inteligência coletiva da população paulistana para as decisões de gestão do município. Este é o papel dos conselhos consultivos. Em São Paulo são inúmeros, que vão desde conselhos gestores dos parques, passando pelo Conselho Municipal de Saúde, o Conselho da Cidade, e chegando ao Conselho Participativo, que está ligado às 32 subprefeituras paulistanas. Os conselheiros são cidadãos comuns, que realizam este importante trabalho de controle social de forma voluntária. Porém, distorções nas regras destes órgãos tem dificultado essa missão.

Entender os fatores que impedem a efetividade dos conselhos e como o legislativo pode colaborar e respaldar as atividades desta instância foi o objetivo da Segunda Paulistana do mês de outubro, que recebeu o nome “A voz dos Conselhos Municipais”.

De caráter consultivo, os conselhos não têm poder de deliberação. Suas decisões não precisam ser acatadas pelas instituições ou esferas de poder ao qual estão ligados. O bom senso diz que deveriam, já que representam a população, mas, em alguns conselhos, nem esta representatividade, e nem a atenção ao que dizem, está garantida.

Fernando Bike, do Conselho Participativo de Parelheiros, relatou grandes dificuldades no trabalho dos conselheiros no bairro do extremo sul paulistano. "O conselho em Parelheiros não funciona. Para se ter uma ideia, existe um projeto de um aeroporto na região e o conselho aprovou. Eles não representam a comunidade, porque a comunidade não quer o aeroporto. Ele representa o parlamentar que está por trás dele”, disse.

A pressão política foi a principal reclamação de Bike. “É um absurdo. Temos entraves para expressar opiniões contrárias nas reuniões do conselho. Já entregamos uma carta ao prefeito Fernando Haddad com essas denúncias e até agora não temos resposta”, relatou o conselheiro, que sugere como solução do impasse a possibilidade de eleição do subprefeito pela população da região. “Assim acabaria esse aparelhamento", argumentou.

Situação diferente foi relatada por Madalena Buzzo, do Conselho Participativo de Pinheiros. No bairro da zona oeste os conselheiros não enfrentam tantos desafios. “Fui para o conselho porque entendo a horizontalidade dele. Não tem poder público, só sociedade civil. Nosso conselho não é aparelhado. Temos militantes de PSDB e PT e todos conseguem ser bons e colaborativos", comentou. Madalena contou ainda que não encontram por lá grandes dificuldades para que a opinião do conselho seja ouvida. “Ele (o conselho) é consultivo e não deliberativo, mas se a sugestão é boa, a deliberação é consequência. E nós conhecemos a realidade, então as sugestões tem coerência”, comentou.

Trazendo a experiência dos conselhos de parques, Amélia França, membro do Conselho Gestor do Parque Vila Guilherme/Trote, reclamou da autonomia dada aos administradores dos parques, que, assim como os subprefeitos, não precisam da aprovação do conselho para suas decisões.
“No Trote temos um administrador que destrói a intelectualidade do Conselho. Acredito que os conselheiros deveriam acompanhar o administrador em reuniões na Secretaria do Verde, por exemplo. Nós trabalhamos muito pelo parque e nossos requerimentos são engavetados. Entendo que tem que se rever a lei. O administrador tem que ser avaliado pelo conselho”, sugeriu Amélia.
A opinião da conselheira foi endossada por Otávio Villares de Freitas, ex-conselheiro do Conselho Gestor do Parque Ibirapuera. “No caso dos conselhos de parques, que o gestor do parque é o coordenador do conselho, seria fundamental que a indicação do gestor, e também sua exoneração, fosse aprovada pelo Conselho”, disse.

Outro problema reiterado em muitos depoimentos, foi a falta de interesse da população em participar e acompanhar. "O Estado cria mecanismos que enganam as pessoas que querem participar. Os mecanismos formais são chatos e não funcionam, mas precisamos ocupar esses espaços”, comentou Cláudia Visoni, do Conselho Regional de Meio Ambiente, Desenvolvimento Sustentável e Cultura de Paz (Cades) Pinheiros.

Ela apontou a corrupção como fator impulsionador desse desinteresse. “Os conselhos estão loteados porque a sociedade também é corrupta. O conselheiro vai lá e se vende pela possibilidade de uma graninha, um empreguinho. O cara que não é conselheiro não vai, porque não vai rolar dinheirinho nem empreguinho", desabafou.

Todos os presentes foram ainda uníssonos ao reclamar do modelo de eleição dos conselhos participativos, aqueles ligados às subprefeituras, em que os candidatos são distritais, mas os votos podem vir de toda a cidade. “O voto elaborado desta forma facilita o aparelhamento, a influência política”, ponderou o vereador Ricardo Young.

A troca de experiências no evento foi comemorada por muitos dos presentes e Young pediu que os conselheiros mantenham diálogo constante. “A conversa facilita e qualifica o trabalho. Vamos fazer um esforço de promoção da participação e da transparência para tornar os conselhos uma instância de real representação da sociedade”, concluiu.

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Vereadores da base aumentam IPTU da Cidade


Depois de sofrer duas derrotas em plenário, o Governo conseguiu, com muito custo, aprovar nesta quarta-feira (30/9) o substitutivo do Projeto de Lei 146/15, de autoria do Executivo, que prevê o aumento de IPTU para terrenos vazios e subutilizados. Sancionada pelo prefeito, a Lei poderá incrementar aos cofres municipais até R$ 150 milhões já no próximo ano (eleitoral). Apenas 16 vereadores votaram contra, entre eles o líder do PPS, vereador Ricardo Young

A ânsia em aprovar mais um novo aumento para a população fez com que o secretário de Relações Governamentais, José Américo, estivesse pessoalmente conversando com os vereadores na noite de ontem. Coincidência, ou não, alguns parlamentares mudaram de ideia e ajudaram o Governo na sua sofrida vitória da tarde de hoje.  

Aumento 

O aumento do IPTU para as áreas chamadas “subutilizadas” não considera os detalhes de cada contribuinte: taxa da mesma maneira aqueles que possuem somente um terreno, ou um imóvel, e também os grandes proprietários de aéreas na cidade. Ou seja, olha o tamanho, mas não a função social e muito menos a origem: presta serviços ambientais? É de um único proprietário? É o seu único imóvel? Está em área de manancial? O proprietário tem condição de se desenvolver? São questões ignoradas no projeto. 

Já o Plano Diretor determina que imóvel subutilizado é aquele que o coeficiente de aproveitamento mínimo não foi atingido. O aumento no IPTU poderá chegar ao limite determinado na última revisão da Planta Genérica de Valores; ou seja, alguns contribuintes poderão receber aumento que pode passar de até 100% - sem as travas de 10% (residenciais) e 15% (comerciais). 

O Governo defendeu-se dizendo que o aumento fará “justiça social” ao coibir a especulação imobiliária. Caso tivesse interesse nesse tema, era só o Prefeito cumprir a Lei 15.234, de 2010, que obriga o Executivo a realizar o cumprimento da função social da sociedade. O preceito do cumprimento da função social da propriedade é a punição por não dar uso social; portanto, define regras de parcelamento compulsório, edificação compulsória, bem diferente do PL apresentado.

Esse aumento de IPTU entrou de contrabando no projeto original, de redução da alíquota de ISS para empresas que participam de feiras, congressos e eventos na Cidade (de 5% para 2,5%).Outro ponto polêmico aprovado é a anistia e perdão para multas do pagamento de IPTU, e pelo uso de áreas públicas, para as escolas de samba do carnaval de São Paulo até o ano de 2014 – sugestão do vereador Milton Leite (DEM). A propositura estendeu o PPI (Plano de Parcelamento Incentivado) para até dezembro de 2014.  

“A população já demonstrou sua revolta com aumento de impostos. O Brasil está  em um momento de crise econômica e intolerável aumentar tributos. Portanto, essa lei é muito perigosa justamente porque atinge todos os terrenos baldios da cidade, tirando a trava, e nem todos estão ali especulando para ganhar mais”, analisou Ricardo Young, líder do PPS.  

Governo sofre nova derrota e aumento de IPTU trava na Câmara Municipal



Mostrando dificuldades em manter a sua base de apoio intacta, o Executivo sofreu a segunda derrota em menos de uma semana no plenário da Câmara Municipal. Após 14 horas de sessões com intensos debates e pouca informação do Governo, o substitutivo ao Projeto de Lei 146/15, que concede redução de ISS para empresas que participam de feiras, congressos e eventos na Cidade (de 5% para 2,5%) – ficou pendente de votação durante votação na madruga desta quarta-feira (30/9). O entrave deveu-se ao novo texto que, além das isenções, aumenta o IPTU para terrenos abandonados e construções irregulares ou com obras paradas ou em andamento na cidade.   

Para o chamado “contrabando”, que não recebeu sequer uma audiência pública para debater os aumentos, o Governo conseguiu apenas 25 votos a favor. Já 12 vereadores votaram contra e não foi registrada nenhuma abstenção. Para ser aprovado o PL e ir à sanção são necessários 28 votos favoráveis. A matéria, portanto, está pendente de votação e voltará a ser apreciada na sessão extraordinária de quarta-feira (30/9). 

A ânsia em aprovar o aumento justifica-se em dois pontos importantes: a necessidade de a Prefeitura fazer caixa em 2016, ano eleitoral, e o prazo apertado para que a Câmara possa aprovar o aumento de IPTU – são 90 dias de antecedência da ocorrência do fato gerador do imposto. Outro ponto polêmico do texto é a anistia e perdão para multas do pagamento de IPTU, e pelo uso de áreas públicas, para as escolas de samba do carnaval de São Paulo até o ano de 2014 – sugestão do vereador Milton Leite (DEM). 

O Governo defende-se dizendo que o aumento fará “justiça social” ao coibir a especulação imobiliária. Caso tivesse interesse nesse tema, era só o Prefeito cumprir a Lei 15.234, de 2010, de autoria do vereador Police Neto (PSD), que obriga o Executivo a realizar o cumprimento da função social da sociedade. O preceito do cumprimento da função social da propriedade é a punição por não dar uso social; portanto, define regras de parcelamento compulsório, edificação compulsória, bem diferente do apresentado.

Na semana passada, a primeira derrota governista aconteceu durante a votação do Projeto de Lei 59/15, que concedia redução de ISS às empresas prestadoras de serviço de vale-refeição e afins. No contrabando, uma emenda tratava do aumento do IPTU de terrenos vazios e outros imóveis.  O Projeto (ISS) foi aprovado, mas a emenda, não.  

“A população já demonstrou sua revolta com aumento de impostos. O Brasil está  em um momento de crise econômica e intolerável aumentar tributos. Portanto, essa lei é muito perigosa justamente porque atinge todos os terrenos baldios da cidade, tirando a trava, e nem todos estão ali especulando para ganhar mais”, analisou Ricardo Young, líder do PPS.  

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Segunda Paulistana discutirá os conselhos municipais


Audiência pública debate conselho municipal da política cultural

No próximo dia 1º de outubro, às 19h, na Sala Olido, acontece a Audiência Pública promovida pela Comissão de Educação e Cultura da Câmara Municipal de Política Cultural. O novo projeto, encaminhado à Câmara pela Secretaria Municipal de Cultura, amplia a participação dos segmentos culturais e incorpora o conceito de territorialização com representantes de nove macrorregiões da cidade e a criação de comissões setoriais e regionais. 


quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Artigo: Um plano raso

A Folha de S. Paulo publicou no início desta semana um artigo do vereador Claudio Fonseca (PPS) sobre o Plano Municipal de Educação (PME). O vereador fez críticas contundentes ao texto, com um olhar para pontos que foram ofuscados pelo debate de gênero na Câmara Municipal de São Paulo.

Em meio a um debate em que questões estruturais ficaram em segundo plano, a Câmara Municipal de São Paulo aprovou no último dia 25 de agosto o Plano Municipal de Educação (PME), um conjunto raso de metas e diretrizes que nortearão a educação pública da cidade nos próximos dez anos.

Grupos em "defesa da família" e movimentos sociais "progressistas" monopolizaram a "disputa" e a questão de gênero protagonizou o debate. A inclusão ou não da palavra e o detalhamento da forma como deverá ser tratada em sala de aula não é assunto de menor importância, mas, não é também questão com a qual seria preciso gastar tanto esforço. Os profissionais da educação já sabem como pedagogicamente reconhecer diferenças e educar contra qualquer forma de discriminação.

Enquanto isso, pontos fundamentais como a universalização do acesso, o financiamento e as quantidades de alunos por sala ficaram sem a discussão necessária. Como resultado, metas e estratégias irrisórias para os problemas educacionais da cidade.

Para falar de financiamento é preciso lembrar que, em 2001, foi reduzido de 30% para 25% o montante de recursos do município destinados à manutenção e desenvolvimento do ensino, especificação de investimento que, seguindo os artigos 70 e 71 da Lei de Diretrizes e Bases, inclui, entre outros pontos, remuneração e capacitação de professores.

Os 5% deduzidos passaram a ser investidos naquilo que o poder público classificou como "gastos com educação inclusiva", que não são, como pode parecer, políticas voltadas ao aluno como deficiência, mas sim gastos com políticas compensatórias, como o "Renda Mínima" e o "Leve Leite".

De 2001 para cá, o montante total subiu para 31%, sendo 6% pra a tal educação inclusiva. O texto aprovado amplia o investimento para, no mínimo, 33% da receita, sem identificar, no entanto, qual o percentual destinado à manutenção e desenvolvimento do ensino. Desta forma, autoriza os governos a se apropriarem de mais 2% de receitas da educação para as políticas de inclusão.

É frustrante também a negligencia em relação à quantidade de crianças por educador na rede. A superlotação das salas é um agravante das precárias condições no funcionamento das escolas, inclusive para a saúde dos profissionais e o aprendizado dos alunos. O PME reforça os quantitativos que já constam na portaria de organização de escolas.

Não há diminuição progressiva para os Centros de Educação Infantil (CEIs). Nas demais etapas, há uma redução de somente dois alunos por sala para os próximos dez anos, o que será atendido sem esforço algum, no decréscimo orgânico da população.

Outra questão que devemos temer é o aumento da permissão dos convênios. Hoje dois terços dos CEIs da cidade são convênios e terceirizações. Seria irresponsável crer no fim imediato deste modelo, que têm sido inclusive ampliado na gestão atual.

Mas, no prazo de vigência do Plano, o poder público não só precisa se planejar como atender ao comando constitucional da educação pública gratuita e de qualidade para todos, expandindo a rede física escolar e extinguindo os convênios que, no geral, implicam no atendimento em instalações inadequadas com profissionais sem direitos de carreira e formação adequada.

São modestas também as metas de redução do déficit escolar. A educação infantil não está universalizada em São Paulo. A rede pública é a que tem maior índice de atendimento, porém não ultrapassa 27% da demanda nessa etapa escolar. Atingir 75% da demanda como o Plano prevê diz muito do pouco empenho do poder público para resolver esta questão estrutural.

Ao cabo, estas questões ficaram encobertas pela cortina de fumaça da discussão sobre gênero e sexualidade. O governo não reconhece que vivemos a era da robótica, da informática, da microeletrônica, e que precisamos modernizar as nossas escolas e dar aos nossos profissionais condições de educar, incentivando e valorizando os direitos humanos e a diversidade.

O PME, infelizmente, resultou mais em um programa de governo do que numa necessária política de Estado.

CLAUDIO FONSECA, 59, é vereador pelo PPS na Cidade de São Paulo e presidente do Sinpeem - Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal de São Paulo.

Leia o texto completo: http://bit.ly/1OZmNnD

Dia Mundial Sem Carro é lembrado na Comissão de Trânsito e Transportes

Nesta quarta-feira (16/9), durante a reunião da Comissão de Trânsito, Transporte, Atividade Econômica, Turismo, o vereador Claudio Fonseca (PPS) lembrou seus pares e os demais presentes sobre a importância do "Dia Mundial Sem Carro", que ocorrerá no próximo dia 22. A ideia é que a população se esforce para criar o hábito de deixar seus carros na garagem, contribuindo para a mobilidade urbana.

Claudio também informou que na véspera, dia 21, a Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo apresentará, num evento, o resultado de uma importante pesquisa sobre o perfil do ciclista na capital paulista, com local e horário a serem definidos.

Além disso, foram aprovados na Comissão os seguintes projetos de lei: 785/2013, do vereador Laércio Benko (PHS), que dispõe sobre a atividade de transporte de mercadorias acompanhadas na cidade; o 36/2014, do parlamentar Eduardo Tuma (PSDB), que obrigam os operadores do serviço de transporte público a disponibilizarem, em meio de fácil acesso ao público, seus comprovantes de custos com o sistema; e, por fim, o 77/2015, da vereadora Sandra Tadeu (DEM), que proíbe a instalação de Caixas Eletrônicos da rede bancária no município de São Paulo.