quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Em ano eleitoral, subprefeitos terão R$ 115 milhões livres


Adriana Ferraz - O Estado de S. Paulo

Em 2016, os 32 subprefeitos da capital terão R$ 115 milhões livres para gastar em "melhorias de bairro". O valor foi definido pela Câmara Municipal, que aprovou nesta quarta-feira, por 35 votos favoráveis e 9 contrários, a primeira versão da lei orçamentária do ano que vem. A previsão geral de receitas para o último ano da gestão do prefeito Fernando Haddad (PT) é de R$ 54,4 bilhões.

Diferentemente do usual, parte dos recursos destinados às subprefeituras não terá destino definido, podendo ser usada em quaisquer obras de zeladoria, como reformas de calçada, limpezas de praça ou recapeamento de ruas, por exemplo. A medida dá mais autonomia financeira aos subprefeitos, em pleno ano eleitoral.

Na média, cada subprefeitura terá R$ 3,5 milhões de verba não carimbada. Mas, de acordo com o texto aprovado, os recursos serão divididos de acordo com o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de cada região da cidade. As áreas mais carentes, como Parelheiros, na zona sul, Cidade Tiradentes, na zona leste, e Perus, na zona norte, deverão receber mais verba. Já as subprefeituras mais ricas, como Pinheiros, na zona oeste, ficarão com um porcentual menor dessa fatia.

A criação de uma fonte de receita sem destino específico foi apresentada pelo vereador Jair Tatto (PT), que é sub-relator do Orçamento. Segundo o petista, a proposta visa a atender uma demanda antiga dos subprefeitos, que agora poderão definir como utilizar parte dos recursos em parceria com a população local. "Esse dinheiro vai para aquele escadão que precisa de uma melhoria, aquela boca de lobo, aquele conserto estrutural. São as demandas de cada dia", afirma.

Para o presidente da Comissão de Finanças e Orçamento da Câmara, José Police Neto (PSD), foi uma "ação inteligente, que dá liberdade para os subprefeitos atuarem em áreas sensíveis". O vereador explicou que, normalmente, a lei orçamentária apresenta o recurso carimbado, ou seja, já define qual praça será reformada, qual ponto crítico de enchente será enfrentado. "O que o Jair (Tatto) fez foi dar uma certa liberdade para a gestão local também se articular. Agora, os subprefeitos, juntamente com o conselho participativo, vão encontrar as regras para a aplicação do recurso. E não é pouco dinheiro", diz.

Apesar de haver consenso entre os parlamentares, a medida precisará ser sancionada pelo prefeito Fernando Haddad (PT), depois de aprovada duas vezes em plenário pela Casa.

Total. O orçamento previsto para o último ano da gestão Haddad é de R$ 54,4 bilhões - 6% maior que a lei aprovada para este ano, de R$ 51,3 bilhões. Após suplementação de verba sugerida pelos parlamentares, as 32 subprefeituras receberão R$ 1,9 bilhão, praticamente o mesmo valor deste ano. No projeto original, a Prefeitura havia proposto uma redução de 8,2%.

Como de praxe, a secretaria com mais recursos em 2016 será a Educação, com previsão de R$ 11 bilhões de recursos. Saúde, com orçamento de R$ 7,6 bilhões, será a segunda pasta com mais verba, seguida por Transportes, com R$ 3,4 milhões, Subprefeituras, Infraestrutura Urbana, com R$ 1,8 bilhão, e Desenvolvimento Urbano, com R$ 1,6 bilhão.

A arrecadação prevista com multas é de R$ 1,1 bilhão, a mesma desse ano. Já o gasto com o subsídio da tarifa do ônibus ficou definido em R$ 1,9 bilhão. Um possível aumento do valor da passagem não foi descartado pelos vereadores, apesar de não constar da proposta do governo.

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Comissão de Política Urbana inicia audiências devolutivas da Lei de Zoneamento

A Comissão de Política Urbana, Metropolitana e Meio Ambiente da Câmara Municipal de São Paulo definiu que serão realizadas seis audiências públicas devolutivas do Projeto de Lei 272/2015, que disciplina o Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo no município – Lei de Zoneamento.

A primeira audiência ocorre nesta segunda-feira (23/11), no Salão Nobre da Câmara – 8º andar, às 19h.

A proposta de revisão do zoneamento foi enviada pelo Executivo à Câmara Municipal em junho deste ano e já foi debatida em mais de 40 audiências públicas com a população. A partir das demandas apresentadas, a Comissão de Política Urbana elaborou um novo texto que também será debatido com a sociedade.

Confira o calendário completo das audiências devolutivas do Zoneamento

Data/horário: 23/11 – (19h às 22h)
Local: Câmara Municipal de São Paulo – Viaduto Jacareí, 100 – Salão Nobre
Tema: Devolutiva Geral

Data/horário: 26/11 (19h às 22h)
Local:Teatro Zanoni Ferrite – Av. Renata, 163 – Vila Formosa
Tema: Devolutiva Zona Leste

Data/horário: 27/11 (9h30 às 12h)
Local: A confirmar
Tema:Áreas Indígenas

Data/horário: 27/11 (19h às 22h)
Local: A confirmar
Tema: Devolutiva Zona  Sul

Data/horário: 28/11 (9h:30 às 12h)
Local: Teatro da Escola São Paulo – Rua Leôncio de Magalhães, 382 – Santana.
Tema: Devolutiva Zona Norte

Data/horário: 28/11 (14h às 17h)
Local: Câmara Municipal de São Paulo – Viaduto Jacareí, 100 – Salão Nobre
Tema: Devolutiva  Zonas Oeste / Central

Artigo: A quem interessa a Licitação de Transporte Público em São Paulo?

Ricardo Young 

O sistema de ônibus da cidade de São Paulo está em licitação desde 14 de outubro. Empresas concorrem para prestar este serviço crucial para a mobilidade de cerca de dez milhões de pessoas, que vivem na maior cidade do país. Quem dita as regras que estas empresas obedecerão é o edital da licitação, documento que tem gerado muita polêmica e foi inclusive alvo de ações judiciais para barrar o processo licitatório. 

A Frente Parlamentar pela Sustentabilidade trouxe este debate para a Câmara Municipal de São Paulo em sua reunião de quinta-feira (19). O objetivo do encontro era entender pontos polêmicos e cobrar da Prefeitura transparência no processo. 

Contudo, a falta de disposição do Executivo em fazer este diálogo mais uma vez se comprovou, já que a SPUrbanuss (Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de São Paulo) não enviou representante para o evento e nem o Secretário Municipal de Transportes e Diretor Presidente da SPTrans, Jilmar Tatto, apareceu por lá.

Em meio às criticas feitas ao documento está o esquecimento das questões ambientais. O vereador Ricardo Young (PPS), vice-presidente da Frente Parlamentar pela Sustentabilidade, ressaltou que licitação vai contra a lei 14.933/09 (Política Municipal de Mudanças do Clima). “A licitação não incentiva o abandono do combustível fóssil. Em tempos de COP21 (Conferência do Clima que acontecerá em Paris no início de dezembro), 38% das emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) do Brasil vêm do transporte. Isso é um absurdo!”, criticou. 

Segundo dados do Instituto Saúde e Sustentabilidade, oito milhões de vidas são perdidas no mundo por causa da poluição, contabilizando 35 mortes por dia. Outra crítica feita pelo parlamentar é a sua total omissão aos princípios da sustentabilidade no edital que, segundo ele, “não contempla qualquer incentivo à produção de biodiesel, alternativa que reduziria os efeitos danosos da poluição e que traria maior qualidade de vida à população”. 

A vigência da licitação também tem sido alvo de questionamentos na sociedade civil. Ela terá validade de 20 anos, podendo ser prorrogada por mais 20, sendo previsto um orçamento de R$ 140 bilhões. A falta de transparência e de diálogo faz com que o processo suscite dúvidas sobre as exatas intenções e os possíveis beneficiários dessa medida. Outra falha grave é não existir nenhuma trava para o subsídio pago pela prefeitura para a manutenção do sistema. “Isso significa que caso este seja ineficiente, o governo municipal continuará pagando para mantê-lo, sem qualquer limite pré-estabelecido”, enfatizou Young.

Outros aspecto apontado no evento é a ausência na licitação de um período de transição. “Por exemplo, está prevista uma reorganização com o corte de 3,2 mil linhas de ônibus na cidade, causando um impacto direto na rotina dos usuários. É preciso mais transparência sobre esta questão”, ponderou o vereador. 

Para ele, a este processo tem algumas incógnitas. “Primeiro, se o Tribunal de Contas do Município já se mostrou bastante crítico ao seu teor; se os próprios motoristas também demonstram preocupação, sobretudo à chamada “reorganização” que pode acarretar em demissões em massa; e se a sociedade civil, representada nos cidadãos que comparecerem hoje na Frente Parlamentar, está se mostrando bastante divergente das diretrizes desse edital, a quem interessa, afinal, essa licitação de transportes? Quem, ao invés da população, será o beneficiado com a forma de contratação dos serviços da empresa ganhadora do edital?”, questionou.

A abertura dos envelopes com as propostas das empresas interessadas na licitação foi impedida por uma suspenção do Tribunal de Contas. Acolhendo uma ação movida pelo Partido Popular Socialista (PPS), o TCM deu um prazo de dez dias para que a Prefeitura preste esclarecimentos sobre os pontos questionados. Não há prazo, entretanto, para a retomada da concorrência.

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Câmara faz novas audiências para definir Orçamento de 2016

A Câmara dos Vereadores de São Paulo vai realizar três audiências pública nesta semana para debater o orçamento da cidade em 2016. As audiências serão nesta quarta-feira (18), das 9h às 14h, e na quinta-feira (19), das 9h às 15h. As sessões serão no Plenário 1º de Maio.

Nesta quarta, está sendo discutido o orçamento para as subprefeituras das Zonas Norte e Leste: Casa Verde, Jaçanã e Tremembé, Santana e Tucuruvi, Vila Maria e Vila Guilherme, Ermelino Matarazzo, Itaim Paulista, Itaquera, São Miguel Paulista, Cidade Tiradentes, Guaianases, São Mateus e Sapopemba, Aricanduva, Mooca, Penha e Vila Prudente.

Nesta quinta, serão realizadas mais duas audiências. A primeira vai discutir o orçamento da Secretaria de Segurança Urbana, Secretaria de Infraestrutura Urbana e Obras, SP-Obras, Secretaria de Desenvolvimento Urbano, Fundo de Desenvolvimento Urbano e SP-Urbanismo. Também serão discutidos os orçamentos da Companhia Metropolitana de Habitação (Cohab), Secretaria de Habitação (Sehab), Fundo de Habitação e Fundo de Saneamento Ambiental e Infraestrutura.

No final da tarde desta quinta, haverá uma audiência geral com a participação da Secretaria de Finanças e Desenvolvimento Econômico e do Tribunal de Contas do Município (TCM).

O Projeto de Lei 538/2015, que trata do orçamento de 2016 é de iniciativa do Executivo e estima para o ano que vem uma receita de R$ 54,4 bilhões. O debate nas audiências busca ouvir a população sobre onde o dinheiro deve ser aplicado.

A população pode acompanhar as discussões sobre o tema no site do orçamento, onde também é possível fazer mudanças no projeto.

Serviço

DIA 18 (QUARTA-FEIRA)

Evento: Audiência Pública Temática do Orçamento 2016 - Subprefeituras
Local: Plenário 1º de Maio - 1º andar
Horário: das 9h às 13h

DIA 19 (QUINTA-FEIRA)

1º encontro: Audiência Pública Temática do Orçamento 2016 - Obras e Habitação
Local: Plenário 1º de Maio - 1º andar
Horário: das 9h às 14h

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

TV Gazeta: Young fala de eleições e Câmara Municipal

O vereador Ricardo Young (PPS) falou ao vivo no dia 12 de novembro no Jornal da Gazeta. Em conversa com a jornalista Maria Lydia Flandoli tratou de temas como a gestão da cidade, eleições de 2016 e sua provável candidatura à prefeitura de São Paulo. Veja clicando AQUI 


terça-feira, 3 de novembro de 2015

Young promove debate sobre a Conferência do Clima das Nações Unidas




O vereador Ricardo Young (PPS) promove na próxima “Segunda Paulista” (9 de dezembro, às 18h30, na Câmara Municipal) um bate-papo sobre a Conferência do Clima das Nações Unidas, a COP 21, que acontecerá em dezembro, em Paris. 

Serão 197 países reunidos entorno da oportunidade de um acordo internacional para a redução da emissão de gases de efeito estufa e um limite de aquecimento global em 2º C. O Protocolo de Paris substituirá o Protocolo de Kyoto, de 2005, com novas metas e estratégias de redução. 

São Paulo, a 7º cidade mais populosa do mundo tem uma grande parcela de responsabilidade e deverá sair da Conferência com uma importante lição de casa para cumprir. A Câmara Municipal de São Paulo (CMSP) quer fazer sua parte. Os vereadores Ricardo Young e Gilberto Natalini representarão a Casa na COP 21 e querem escutar suas ideias, propostas e sugestões.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Calendário das audiências públicas do Orçamento 2016

AUDIÊNCIAS PÚBLICAS SOBRE O ORÇAMENTO 2016 (PL 538/2015)

OUTUBRO

Dia 26 

1ª Audiência Geral
Plenário 1º de Maio – das 10h às 18h

Secretaria de Finanças e Desenvolvimento Econômico
Tribunal de Contas do Município
Secretaria de Finanças e Desenvolvimento Econômico
SP Securitização – Companhia Paulistana de Securitização
SPDA – Companhia São Paulo de Desenvolvimento e Mobilização de Ativos
Secretaria dos Negócios Jurídicos
SP Negócios
Secretaria de Gestão
IPREM

Dia 29 

2ª Audiência Temática
Plenário 1º de Maio – das 10h às 13h

Câmara Municipal / Fundo da Câmara
Tribunal de Contas do Município / Fundo do Tribunal de Contas do Município
Secretaria de Segurança Urbana
Secretaria de Relações Governamentais

Plenário 1º de Maio – das 14h às 19h

Secretaria de Transportes / Fundo de Trânsito
SPTrans
CET
Secretaria Executiva de Comunicação
PRODAM

NOVEMBRO

Dia 5 

3ª Audiência Temática
Plenário 1º de Maio – das 10h às 13h

Secretaria de Serviços / Fundo de Iluminação Pública / AMLURB
Autoridade Municipal de Limpeza Urbana
Secretaria de Coordenação das Subprefeituras / SPUA
Superintendência das Usinas de Asfalto

Plenário 1º de Maio – das 14h às 19h

Secretaria de Esportes, Lazer e Recreação / Fundo de Esportes, Lazer e Recreação
Secretaria de Licenciamento
Secretaria do Desenvolvimento, Trabalho e Empreendedorismo
Secretaria de Relações Internacionais e Federativas

Dia 9 

4ª Audiência Temática
Salão Nobre – Pres. João Brasil Vita - das 12h às 18h

Secretaria do Governo Municipal
Secretaria de Educação
Fundação Paulistana de Educação e Tecnologia
Secretaria de Cultura / Fundo Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico e Cultural / Fundo Especial de Promoção de Atividades Culturais / Fundo de Proteção do Patrimônio Cultural e Ambiental Paulistano
Fundação Theatro Municipal
SP Cine
SP Turis / Fundo de Turismo

Dia 12 

5ª Audiência Temática
Plenário 1º de Maio – das 9h às 13h

Secretaria da Saúde / Fundo de Saúde
Autarquia Hospitalar
Hospital do Servidor Público Municipal
Serviço Funerário
Controladoria Geral do Município

Plenário 1º de Maio – das 14h às 18h
Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social / Fundo de Assistência Social / FUMCAD – Fundo da Criança e do Adolescente
Secretaria de Promoção da Igualdade Racial
Secretaria de Políticas para as Mulheres
Secretaria da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida
Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania

Dia 19

6ª Audiência Temática
Plenário 1º de Maio – das 9h às 11h30

Secretaria de Infraestrutura Urbana e Obras
SP-Obras
Secretaria de Desenvolvimento Urbano / Fundo de Desenvolvimento Urbano
SP-Urbanismo

Dia 19 – 2ª Audiência Geral
Plenário 1º de Maio – das 18h às 20h

SEHAB – Secretaria de Habitação / Fundo de Habitação / Fundo de Saneamento Ambiental e Infraestrutura
COHAB – Companhia Metropolitana de Habitação de SP
Secretaria do Verde e do Meio Ambiente / Fundo Especial do Meio
Ambiente e Desenvolvimento Sustentável / Fundo de Parques
Secretaria de Finanças e Desenvolvimento Econômico
Tribunal de Contas do Município

PPS participa de atos que lembram os 40 anos de morte de Vladimir Herzog

  

O Partido Popular Socialista, representado pelo seu vereador Ricardo Young, participou nesta segunda-feira (26/10) de dois eventos representativos e marcantes para aqueles que defendem a democracia como valor universal: a reinauguração da Praça Vladimir Herzog e o lançamento do relatório final da Comissão da Verdade Vladimir Herzog. As duas cerimônias, que fizeram parte dos atos que lembram os 40 anos da morte de Herzog, contaram com a presença da viúva, Clarice, e do filho Ivo, que também é presidente do Instituto que leva o nome do pai, jornalista morto pelo regime de repressão em 1975.

A praça, que havia sido inaugurada em 2012, foi reaberta oficialmente em uma cerimônia que contou com a presença de figuras importantes e que tiveram papel de destaque no período sombrio do regime militar pós 64: o artista Elifas Andreato (responsável pelo painel “25 de Outubro”), o cineasta João Batista de Andrade, o ex-deputado federal José Aníbal, Tereza Lajolo (ex-vereadora e presidente da Comissão da Verdade da Prefeitura de SP), Adriano Diogo (ex-deputado e presidente da Comissão Estadual da Verdade Rubens Paiva), entre outros. 

Em breve, o local, que fica localizado ao lado da Câmara e em frente à Praça da Bandeira, receberá uma estátua de bronze representando Vlado e de autoria de Elifas Andreato (foto ao lado com Clarice Herzog). 

“O memorial em homenagem a Vladimir Herzog é um memorial à luta contra a ditadura e sobre a possibilidade da liberdade que a democracia nos trouxe. Em tempos de dificuldade com a democracia, muita gente tende a olhar para este período com olhar nostálgico e isso é um erro trágico”, disse Young.

Relatório Final

À noite, no plenário Primeiro de Maio da Casa, o presidente da Comissão da Verdade Vladimir Herzog, Gilberto Natalini (PV), entregou ao povo o relatório final da Comissão que, entre tantos esclarecimentos, concluiu que o ex-presidente Juscelino Kubitschek foi morto pela Ditadura, ao contrário do que sustentou a Comissão Nacional da Verdade. “O levantamento federal despreza evidências, testemunhos e provas da investigação da Comissão Municipal”, disse Natalini. Duas figuras chaves desse enredo também foram homenageadas nesta noite: o motorista de JK no dia do assassinado, Josias Nunes de Oliveira – que por muitos anos levou a culpa pelo fato, e Serafim Melo Jardim (na foto, à esquerda), secretário particular de JK em seus últimos nove anos de vida e ex-chefe de gabinete durante seu governo em Minas Gerais, que sustenta a versão de que o "presidente bossa nova" vinha sendo vigiado pelo regime fardado e que corria risco de morte. 

O relator da Comissão, vereador Mario Covas Neto (PSDB), lembrou o episódio da prisão do seu pai, o ex-governador Mario Covas, quando líder da minoria da Câmara dos Deputados nos anos 70. 

“Ele ficou 15 ou 20 dias preso, incomunicável, aqui em Cumbica, e minha mãe descobriu que o motivo da prisão era o fato dele ser testemunha em um processo. Isso me chamou atenção, porque se a testemunha era tratada daquele jeito, imagina o réu?”, questionou.

“Recordar é viver e reviver o drama relatado pelos depoimentos dos personagens da época não nos permite, em quaisquer hipóteses, conceder qualquer espaço para flertes com um Estado ditatorial e terrorista. Nunca mais!”, disse Ricardo Young, integrante da Comissão. Para ele, o trabalho do relatório final entregue à sociedade é “um dos mais importantes feitos dessa legislatura”.

Gilberto Natalini relembrou momentos marcantes da Comissão, como as oitivas com agentes do aparelho repressor, e a cerimônia belíssima que devolveu o mandato de 42 vereadores cassados por perseguição política de governos autoritários entre os anos de 1937 e 1969, entre eles o presidente de honra do PPS, o companheiro Moacir Longo. Natalini foi preso político no Doi-Codi, junto com Longo, e felizmente os dois continuam caminhando na luta ao lado de todos aqueles que respeitam o direito à vida e à democracia.


quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Comissão de Estudo do sistema de táxis realiza sua primeira reunião

Foi realizada nesta quarta-feira (14/10) a primeira reunião da Comissão de Estudos que vai avaliar as condições do serviço de táxi na cidade de São Paulo. Presidida pelo vereador Senival Moura (PT), a comissão é uma iniciativa da Comissão de Transportes, em resposta a demandas recorrentes dos taxistas, relacionadas, principalmente, ao represamento de alvarás por parte da Prefeitura.

Neste primeiro encontro, compuseram a mesa, além do presidente, os vereadores Ricardo Young (PPS); Adilson Amadeu (PTB), relator da Comissão; Andrea Matarazzo (PSDB); Salomão Pereira (PSDB), vice-presidente da Comissão; e Vavá (PT).

O vereador Adilson Amadeu aproveitou a oportunidade para pedir que o presidente da SP Negócios, Rodrigo Pirajá, preste esclarecimentos sobre alguns dados apresentados na última quinta-feira (8), na coletiva de imprensa promovida pela Prefeitura sobre a sansão do projeto de lei 349/2014, que proibiu aplicativos de ‘carona paga’, como a Uber, no município. Na ocasião, Rodrigo expôs que na cidade há espaço para mais 15 mil novos carros de transporte individual. “Quero saber que estudos levaram a esta conclusão”, perguntou Amadeu.

Os parlamentares também concluíram que, juntamente com a presença de Pirajá, seria importante convidar o diretor do Departamento de Transportes Públicos (DTP), Daniel Telles, para também contribuir na discussão. Amadeu sugeriu ainda que uma pesquisa de opinião fosse feita, por iniciativa da própria Câmara Municipal de São Paulo, para que os cidadãos possam avaliar os serviços de transporte individual de São Paulo.

O vereador Ricardo Young (PPS) elencou alguns pontos que, para ele, devem nortear o trabalho desta Comissão de Estudo. O primeiro deles é a demanda reprimida e o comércio irregular de alvarás. “Ela existe? Se ela existe, de quanto é? Por que ela existe? Por que o DTP não tem liberado os alvarás de acordo com essa mesma demanda? Por que os alvarás são comercializados? Há falhas no sistema do DTP e da Prefeitura que estão permitindo essa comercialização ocorra?”, questionou o vereador.

O segundo tema proposto por Young foi o papel das frotas. “As frotas são realmente necessárias? Se elas são realmente necessárias, porque nem todos os taxistas têm carro, por que elas também possuem alvarás? Por que as frotas deveriam deter alvarás e não os motoristas diretamente? Então eu acho que vale a pena nós revisitarmos não só o conceito de frotas, mas das empresas que operam no sistema de transporte individual”, ponderou.

Em terceiro lugar, ele destacou a necessidade de pesquisar a natureza do trabalho que a Prefeitura faz. “Tem sentido a prefeitura gerir o sistema de táxi? Não deveria a Prefeitura se preocupar com a regulamentação, a supervisão do sistema, em termos e mecanismos mais modernos para a gestão do próprio sistema?”, disse.

Por último, Young colocou a importância de incluir as empresas de tecnologia no diálogo e lembrou a necessidade de se ouvir os taxistas de frotas. “Eles são a ponta penalizada no sistema como um todo porque, ao não terem alvará e ao não terem carro, acabam, muitas vezes, pagando volumes enormes para as empresas de frota e acabam tendo um trabalho análogo ao de escravo. Se conseguirmos escutar todos esses agentes do sistema, provavelmente o grupo de estudos poderá sugerir à Prefeitura um upgrade generalizado, de forma a melhorar o serviço como um todo”, concluiu.

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Táxis: Young faz críticas a proposta de Haddad


O vereador Ricardo Young (PPS) criticou nesta terça-feira (13/10), durante a sessão ordinária, a polêmica sansão do prefeito Fernando Haddad ao Projeto de Lei 349/14, que proibia a operação na cidade de São Paulo de aplicativos de ‘carona paga’, como e o Uber, e libera, via decreto, o táxi preto de luxo – com alvará pago. 

Ricardo já havia dito antes mesmo da aprovação do texto, que o PL seria vetado ou distorcido pelo prefeito. Dito e feito. A emenda apresentada pelo governo, e aprovada em plenário, permitiu a regulamentação. Contudo, a proposta apresentada pelo Executivo está, para Young, “fadada ao fracasso”. Confira na íntegra o pronunciamento:

“Gostaria de trazer aqui uma questão que tem me preocupado cada vez mais. Nós tivemos um debate intenso aqui na Câmara sobre o sistema de táxis, que precedeu a votação do projeto de lei 349/2014, que foi sancionado na semana passada pelo prefeito. Essa discussão visava justamente superar os anacronismos do sistema de táxis em São Paulo; reconhecer e integrar as plataformas tecnológicas e reordenar todo o sistema de forma a dar à cidade de São Paulo o que é mais de moderno e contemporâneo em termos de transporte individual de interesse público.

Eu já dizia, desde a Audiência Pública e os demais debates que nós fizemos, que o PL 349 era uma cortina de fumaça, porque ia fazer de conta que proibiria a tecnologia e na verdade não iria proibi-la. Cheguei até dizer que acreditava que o prefeito iria vetar a lei. Mas, inteligentemente, a base do Governo fez uma negociação e, ao invés de constranger o prefeito com o veto da lei, a base do Governo introduziu uma emenda que simplesmente contradisse a própria lei. Aliás, as emendas, como disse recentemente aqui o vereador Andrea Matarazzo (PSDB), as “emendas de contrabando” têm se demonstrado terríveis e altamente perigosas aqui nesta Casa. Foi o caso. Foi feita uma emenda que permitia que o prefeito, através de Decreto Lei, regulamentasse o sistema de tecnologia. Eis que quinta-feira ele dá uma entrevista sobre o que ele pretende fazer. O que ele pretende fazer é o pior, do pior, do pior.

Ao invés de regulamentar as tecnologias, ao invés de aproveitar essa crise e reordenar o sistema de transporte individual de interesse público na cidade de São Paulo, ao invés de criar possibilidades de se eliminar todo esse comércio de alvarás que existe na cidade, ao invés de eliminar a exploração do taxista pelo taxista, na forma de taxistas que precisam alugar alvarás para poder trabalhar... não! Ele cria uma nova categoria de táxis, que é uma categoria de luxo, que reafirma o uso dos alvarás, só que agora de forma onerosa.

É quase como se a própria Prefeitura reconhecesse a legitimidade do comércio dos alvarás, cobrando ela mesma um preço por esses alvarás especiais, e aqui tentando corrigir uma distorção, que é a vitaliciedade dos alvarás hoje existentes, coloca 35 anos de vigência para os novos alvarás. O que me parece é que o prefeito ao invés de regulamentar o Uber, ou aproveitar a ocasião para reordenar o sistema como um todo, ele cria uma elite no sistema de táxis em São Paulo, uma condição especialíssima de alvarás para carros de luxo, e tudo parece ser sobre encomenda para a Uber e não para o sistema como um todo.

Nosso gabinete tem sistematicamente conversado com os taxistas, com os aplicativos, e existe a possibilidade de se dar a São Paulo o que há de melhor em termos de transporte individual coletivo, atingindo as metas da lei de mobilidade urbana; reduzindo o uso de transporte individual, dos carros; dando à classe média um serviço de excelente qualidade para que ela use menos os carros; que cria possibilidade do uso mais intensivo dos táxis na periferia de São Paulo; que estimula as populações de menor poder aquisitivo ao uso dos táxis; mas tudo isso, me parece, estar sendo perdido mais uma vez por uma miopia que se repete por parte da Prefeitura que se recusa a ver que, ao invés de crise, essa é uma grande oportunidade de reordenamento e de modernização do sistema de táxi em São Paulo. Eu gostaria que os colegas se debruçassem um pouco a esse tema e evitassem que houvesse esse tipo de erro e enganação da população de São Paulo em relação a um projeto que nasce fadado para ter problemas. Muito obrigado.”