quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Editorial do Jornal da Tarde elogia conduta do vereador Claudio Fonseca

Opinião do Jornal da Tarde desta quinta-feira (“Desperdício em época de penúria”, página 2 – 11 de fevereiro) critica a ação da Câmara Municipal de elevar os gastos com a verba publicitária para divulgação institucional.

No mesmo texto, o JT elogia a atuação do líder do PPS, Professor Claudio Fonseca, que manifestou-se publicamente contrário à ação dos demais parlamentares. Diz o Jornal: “...é triste constatar que vozes como a de Fonseca são isoladas...”. Leia abaixo a íntegra do editorial.

Desperdício em época de penúria

Indiferente à repercussão negativa do aumento de 207% – isto mesmo – da verba publicitária, para a “divulgação institucional” da Casa, a cargo de uma agência de publicidade a ser contratada, a Câmara Municipal da capital começou a tomar as medidas para tornar realidade esse desperdício, tão logo os vereadores retomaram suas atividades após o recesso. Uma presteza e um cuidado que eles nem sempre demonstram quando se trata de assuntos de real interesse para a população.

No ano passado, os gastos com publicidade ficaram em R$ 17,47 milhões. O total de recursos previstos para 2010 é de R$ 36,8 milhões, dos quais R$ 17 milhões para a TV Câmara e outros R$ 17 milhões para o pagamento dos serviços daquela agência, cujo processo de contratação, por meio de concorrência pública, já começou. No primeiro dia de trabalho da Casa, antes mesmo da formação das comissões de Finanças, Educação, Saúde e Transportes, já foram escolhidas cinco agências aptas a participar da concorrência.

Como a criação desse novo serviço coincide com um ano eleitoral e 23 dos 55 vereadores já se declararam candidatos, o vice-presidente da Casa, Dalton Silvano (PSDB), que também é publicitário, faz questão de frisar que a divulgação a ser feita será essencialmente institucional – sem relação, portanto, com nenhum vereador em particular – e apartidária.

Em primeiro lugar, como observou com inteira razão o vereador Claudio Fonseca (PPS), no final do ano passado, não há nenhuma boa razão para esse serviço, pois o Legislativo já dispõe de todo um aparato de comunicação. Além de um importante instrumento para tal, a TV Câmara, ele oferece a cada vereador verba mensal de custeio de até R$ 14,8 mil e 19 assessores. Entre eles, há jornalistas e outros profissionais aptos a fazer a divulgação de suas ações.

O desperdício é evidente, principalmente se levarmos em conta que, como é notório, os vereadores paulistanos não se distinguem nem pelo amor ao trabalho duro nem pela dedicação ao estudo e à solução dos grandes problemas que afligem a população. Dedicam a maior parte do seu tempo a assuntos irrelevantes e a articulações para garantir sua reeleição ou para alçar voos mais altos.

Em segundo lugar, é triste constatar que vozes como a de Fonseca são isoladas. Os principais partidos não só aprovaram a tal “divulgação institucional” da Câmara, ao custo de R$ 17 milhões – dinheiro que certamente poderia ter melhor destinação nesta época de recursos escassos –, como se apressaram a dividir entre seus protegidos os cargos do recém-criado Departamento de Comunicação. Para ele estão sendo nomeadas, por exemplo, pessoas ligadas tanto ao governista PSDB como ao oposicionista PT.

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